Continua impasse entre governo e grevistas
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quinta-feira, 08 de novembro de 2001
Andréa Lombardo<Br>De Curitiba 
Governo e representantes do comando unificado de greve das universidades estaduais voltaram a bater na mesma tecla em mais uma rodada de negociações frustrada, ontem, em Curitiba. De um lado os grevistas insistindo que o governo inclua no orçamento de 2002 um índice de reposição salarial e do outro o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, alegando a impossibilidade de indicar qualquer reajuste, antes da matéria ser discutida pelo legislativo.
Wahrhaftig se comprometeu a entregar hoje para o comando de greve um ofício formalizando os itens discutidos na reunião de ontem. Além da reposição de 50,03%, os servidores das universidades pedem a regularização dos cargos, cuja contratação foi considerada ilegal pelo Tribunal de Contas do Estado, a realização de concurso público e a revisão do redutor salarial, que compromete os salários dos aposentados.
O secretário afirmou que o governo encaminhará mensagem para Assembléia Legislativa nas próximas semanas com a proposta de criação de lei de cargos para as universidades. Dos cerca de 13,5 mil funcionários das instituições, 11,3 mil estão em situação irregular.
Quanto à questão salarial, principal reivindicação da categoria, Wahrhaftig disse que a indefinição da venda da Copel acabou se tornando um complicador. Garantindo recursos para o pagamento dos inativos, o governo, segundo ele, teria uma folga no orçamento para estudar reajustes.
Do lado de fora do prédio da secretaria, cerca de 300 manifestantes, entre servidores e professores das universidades estaduais de Londrina, Maringá e da Unioste, de Cascavel, que vieram em caravana para Curitiba, aguardavam o fim da reunião, com batucadas e gritos de protesto contra o governo Jaime Lerner. Alguns manifestantes tentaram entrar no prédio, mas policiais militares ficaram o tempo todo fazendo a guarda nas duas entradas de acesso à secretaria.
O fato do secretário apresentar propostas por escrito aos grevistas não deverá representar o fim do movimento. ''Acho difícil que a categoria entenda isso como um avanço nas negociações'', afirmou Luiz Fernando Reis, professor da Unioeste e membro do comando de greve. Sem a indicação de reajuste salarial, os servidores prometem manter a paralisação.
''As universidades estaduais respondem por 60% do ensino superior público no Estado. Por isso, é necessário que o governo se esforce para dar respostas o mais rápido possível'', complementou Reis. Segundo ele, uma nova conversa entre comando e governo está agendada para às 16 horas de hoje. A assessoria de imprensa da secretaria não confirmou o encontro.
Wahrhaftig prometeu que ainda esta semana ajuizará ações contra os sindicatos que representam as categorias em greve sob alegação que o movimento está prejudicando a prestação de serviços essenciais à população.


