A comissão de técnicos, pesquisadores, promotores e cientistas que avaliam o contêiner-prisão da Delegacia de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) decidiram apontar soluções para a adequação da cela. Um espaço de apenas nove metros quadrados chegou a ser dividido entre dez presos. O contêiner é fechado, sem ventilação a não ser uma abertura feita na parte superior da estrutura metálica. Os presos são retirados duas vezes por semana da prisão para tomar sol.
O Ministério Público chegou a cogitar a possibilidade de pedir a interdição da cadeia. Mas a interdição, segundo a promotora Mônica Louise Azevedo, da Coordenadoria de Recursos Criminais, não resolveria o problema. ''É melhor procurarmos uma solução em conjunto do que pedir a interdição e a decisão judicial não ser respeitada, até por conta do grande índice de criminalidade em Fazenda Rio Grande'', disse.
Enquanto isso, algumas medidas estão sendo tomadas como forma de melhorar as condições de vida dentro do contêiner. Para evitar problemas de curto-circuito, a comissão solicitou que a base da estrutura seja fixada aterrada; a Secretaria de Estado da Saúde se prontificou a providenciar vacinação contra tétano para todos os presos; a ventilação terá que ser reforçada com a instalação de um exaustor; e a lotação terá que ser reduzida para no máximo seis presos. ''Quando extrapolar, o delegado deverá entrar em contato com o Ministério Público, que providenciará uma remoção destes presos para o sistema'', disse a promotora.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública enviou um relatório para o Ministério Público mostrando um projeto detalhado de como seriam os contêineres que seriam aplicados no Paraná para abrigar presos. Eles teriam pátio, área para sol e visita íntima. A arquiteta Luci Aquami Hayashi, que trabalha com a técnica oriental Feng Shui, comentou que o metal pode trazer problemas sérios no humor dos detentos, porque interfere nas emoções. Ela recomendou que fosse usado material neutro para o revestimento das celas, como tijolos, areia e pedra.
A próxima reunião para debater o assunto e apresentar propostas de adequação da prisão de Fazenda Rio Grande ficou marcada para o próximo dia 27.

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