Contato com o álcool cada vez mais cedo pode provocar dependência precoce
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Redação FolhaWeb 
''Comecei a beber com 12 anos em uma festa com amigos. Meus pais pensaram que eu estava em outro lugar. Hoje, bebo todos finais de semana e agora nas férias acabo tomando 'umas' a mais. Geralmente, tomo de 10 a 12 latinhas de cerveja.'' O depoimento é de um adolescente de 17 anos, que estava na companhia de um amigo de 16 anos em um bar e que serão chamados respectivamente de Bruno e Pedro (nomes fictícios).
A dupla, que costuma frequentar diversos bares no Centro de Londrina, topou falar com a reportagem ao saber que não seria identificada. Pedro conta que começou a beber por influência de amigos mais velhos, aos 14 anos. ''Já passei mal umas três vezes. Caiu minha pressão, comecei a suar frio, não conseguia mais conversar. Fiquei tonto, vomitei e dormi em seguida. Meus pais nem ficaram sabendo'', revela o adolescente, que sorri em seguida ao lembrar do episódio.
A dupla afirma nunca ter tido dificuldade para comprar bebida alcoólica, como a cerveja e o conhaque, citados por eles. ''Mesmo quando a gente tinha 12, 14 anos. Hoje então, que a gente aparenta ter mais idade, é muito mais fácil. Não me lembro de alguém ter pedido identidade para nós'', conta Bruno, que também afirma que ele e todos os amigos menores carregam documento de identidade falso. ''Uso o RG falso desde os 15. A gente mesmo que faz. É muito fácil e fica perfeito'', afirma o garoto, que diz utilizar o documento para entrar em festas e boates.
Os adolescentes também afirmam que fumam cigarro e que já experimentaram outras drogas, como a maconha, o LSD e o ecstasy. ''Com certeza, tudo começou com o álcool'', responde Pedro, ao ser questionado se a bebida é realmente a porta de entrada para outras drogas.
Os depoimentos acima revelam uma realidade cada vez mais alarmante no país. A estimativa da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) aponta que no Brasil cerca de 19 milhões de pessoas são dependentes do álcool. A entidade ainda aponta que 6% de todo o consumo anual de álcool no país são entre jovens de 14 a 17 anos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera consumo abusivo quando se bebe 60 gramas ou mais de álcool puro, pelo menos uma vez por semana e estabelece que nenhuma bebida com álcool, mesmo que em poucas quantidades, deve ser ingerida por menores de 18 anos.
O psiquiatra Diego Augusto Nesi Cavicchioli, especializado no atendimento de crianças e adolescentes em Londrina, afirma que o adolescente é mais vulnerável, já que o cérebro está em formação. ''Até os 18 anos não se deveria experimentar nada. É mais fácil perder o controle sobre o uso e se tornar dependente'', alerta.
Leia mais na reportagem de Érika Gonçalves e Micaela Orikasa
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