O Procon de Maringá recomendou aos assinantes de telefones o bloqueio dos números 0900 exclusivos para sorteios pela televisão e dos disque-sexo, disque-amizade e disque-esoterismo até que o Ministério da Justiça especifique as normas para o setor. ‘‘Esta recomendação é principalmente para aqueles que já tiveram problemas com suas contas telefônicas’’, disse o coordenador do Procon em Maringá Daniel Campos.
Segundo Daniel Campos, são muitas as reclamações contra os valores apresentados pelas contas telefônicas relativos a esses serviços. ‘‘Das poucas denúncias registradas aqui podemos concluir que os telefonemas realmente acabaram acontecendo, ou através de gente da própria família ou de alguma outra forma’’, afirmou Campos.
Um dos maiores problemas para o consumidor é como provar que determinado serviço, como o disque-amizade (145), consegue autorização do assinante para que sejam descontados R$ 3,00 de sua conta telefônica. ‘‘Onde é que está escrito que eu autorizei que o 145 cobrasse R$ 160,00 de minha conta telefônica se nem eu, e nem meus pais, dois velhinhos, ligaram para este número? E como vou provar que eu não liguei?’’, reclamou a telefonista Valda Moreira. ‘‘E eu reclamei à central do 145 (080041045) e eles me mandaram um impresso do tamanho de um bonde com todas as chamadas discriminadas, com hora, dia e tempo de duração. Espantoso’’.
‘‘Viajei em férias e justamente no período em que minha casa ficou completamente sozinha a conta do telefone veio com R$ 80,00 referentes ao disque-amizade’’, disse a comerciária Marilene Souza. A Telepar analisou o caso e emitiu nova fatura, sem os pulsos do 145.
Um consumidor de Marialva (a 17 km de Maringá), disse que vai publicar anúncio nos jornais convocando consumidores com este problema. ‘‘Juntos, seremos mais fortes para reclamar na Justiça. Em uma fatura, a Telepar me cobrou R$ 500,00 por quase 5 mil pulsos. Pago média de R$ 60,00 por cerca de 500 pulsos mensalmente. Como a conta não discrimina o serviço, liguei para a Telepar e lá me disseram que eu havia discado para o tal 145. Nem eu e nem ninguém na minha família fizemos isso’’, garante o engenheiro Marco Antônio Salvador. Ele enviou carta no final de 97 ao Conselho de Usuários da Telepar mas até hoje não recebeu resposta.
O gerente da Telepar do distrito de Maringá Homero Borba Passos garante que a margem de erro da Telepar é ‘‘zero’’. ‘‘Não erramos jamais. Gravamos o dia, hora, e duração da chamada. Só não gravamos o telefonema porque é inconstitucional’’, sentenciou. Passos disse que, por enquanto, a Telepar não discrimina este tipo de serviço nas contas porque o equipamento da empresa ainda não permite. ‘‘Mas a partir de janeiro todas as chamadas deste tipo estarão discriminadas’’, disse. Passos explicou também que a Telepar não tem nada a ver com essas reclamações - a empresa apenas cobra os serviços de acordo com as contas fornecidas pelas centrais provedoras.
Passos informou ainda que aquele que se sentir prejudicado pode pedir o bloqueio do serviço. O pedido de bloqueio deve ser feito às centrais provedoras desses serviços.

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