Contando e encantando
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terça-feira, 05 de agosto de 2014
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Londrina - Não há quem resista aos encantos de um bom contador de histórias. Não importa a idade, quando a história é boa e quem está contando consegue transmitir emoções com a voz e o corpo, gastam-se horas no mundo da imaginação. A paulistana Roseli Bassi é uma especialista na arte de contação de histórias, e treina pessoas de todas as idades para que elas "formem, informem e transformem" outras com suas narrativas. "Formar, informar e transformar é o tripé que é trabalhado de maneira consciente na contação de história." Ela acrescenta que "quanto isso é trabalhado conscientemente, as ações do contador ficam mais impactantes, e os resultados alcançados são mais satisfatórios".
Segundo Roseli, por meio das histórias é possível passar valores familiares, educacionais, sociais e também entreter, basta "encontrar seu potencial de contador". Ela ressalta que não importa se o público é formado por crianças, adultos, idosos em asilos ou mesmo seu filho, sentado na cama antes de ir dormir. "É preciso pensar o que eu já tenho de recursos em mim que possibilitam que meu objetivo fique mais efetivo. Olhar suas possibilidades enquanto contador de histórias e expressar sua melhor história, com seu estilo, sem copiar ninguém, para ser o menos mecânico possível. "Quanto mais espontâneo, melhor", ensina Roseli, que esteve na semana passada em Londrina, ministrando um curso promovido pela RH Educacional. Usar diferentes tons de voz, mostrar emoção no rosto, começar com um sorriso e usar o corpo são maneiras de prender atenção do ouvinte.
Para quem quer começar, Roseli explica que é preciso também contar histórias que toquem o contador, para que ele consiga participar dessa construção narrativa. "Pelo menos por experiência própria, me identifico mais com histórias que ativam meu lado emocional, que eu tenho mais prazer em contar", observa. Ela acredita que, além de entreter, o contador é um "agente transformador". "O contador de histórias é um líder inspirador, porque naquele processo de contação de histórias ele pode fazer com que as pessoas repitam padrões e ações contidas naquela narração de uma maneira consciente ou inconsciente", afirma.
SABEDORIA
Roseli é a fundadora da ONG Instituto História Viva, de Curitiba, que treina pessoas para contarem histórias de forma voluntária em hospitais, asilos e creches. Ela afirma que todos os contadores têm seus encantos. "Com crianças e jovens atuando como contadores de histórias mirins é mais fácil, porque esse público acredita muito mais no potencial dele do que as pessoas que já estão formatadas quando se tornam adultas. E os idosos e aposentados têm o potencial de contribuir para a formação de valores e de sabedoria junto à humanidade, junto às pessoas em torno. Ou seja, todos podem e devem contar histórias."
Uma dica da especialista é sempre perguntar para o "público" qual estilo de história ele prefere. "Se forem crianças, é preciso saber se elas preferem ação, terror, princesas, dragões, heróis, e com isso passar seus valores e sua mensagem, dentro do estilo que ela quer."
Outra dica importante, segundo Roseli, quando os ouvintes são crianças, é cuidar do espaço físico onde a apresentação será feita. "Sentar a criança no chão em um ambiente aconchegante, com almofadas, e se forem várias crianças, deixá-las em círculo. Aquele momento precisa ser interpretado internamente como momento de prazer, de alegria. Os pais, assim, ajudam no processo de formação de novos leitores", finaliza.


