A contaminação de 22 bebês internados no Hospital Universitário (HU) de Londrina causou a interdição da ala pediátrica do HU. Foram fechadas a Maternidade, Pronto-Socorro Obstétrico e os setores de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). As crianças contaminadas estão internadas na UTI Neonatal e na UCI.
De acordo com o diretor-clínico do HU, Sinésio Moreira Júnior, a superlotação é um dos fatores que contribuíram para o surto de contaminação. A UTI Neonatal, que possui sete vagas, está atendendo 12 crianças. Na UCI, as dez vagas estão ocupadas.
Quatro partos tiveram de ser transferidos para outros hospitais. De manhã, dois foram realizados normalmente. No período da tarde, uma gestante de gêmeos foi encaminhada para a Maternidade Municipal. Outras três foram encaminhadas para a Central de Leitos.
O surto de colonização de duas bactérias Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae foi descoberto ontem. O fechamento ocorreu às 16h30, após resultado de análise das culturas. A suspeita havia iniciado na sexta-feira, quando um dos bebê passou a apresentar sintomas. As bactérias existem na flora humana, mas são prejudiciais a bebês de baixo peso.
Segundo Moreira, os recém-nascidos serão tratados com antibióticos para evitar o risco de infecção. O fechamento foi estendido ao Pronto-Socorro Obstétrico e Maternidade por causa do fluxo de pacientes, o que poderia facilitar a proliferação.
A reabertura deverá ocorrer somente após prazo mínimo de uma semana. As bactérias podem causar principalmente pneumonia e infecção urinária. ''Ainda não dá para afirmar que as crianças correm risco de morte'', disse. ''Mas se a superlotação for mantida, não há como sair da situação de risco. E a superlotação é uma rotina no hospital'', destacou.
Para Moreira, o excesso de internamentos também prejudica a conduta dos funcionários. ''A superlotação faz com que o funcionário fuja de rotinas pré-estabelecidas'', admitiu. As gestantes que procuravam atendimento no HU eram orientadas a procurar outro hospital. ''Não há como controlar a não ser fechando. Sem receber novos, podemos cuidar do tratamento das crianças contaminadas.''
A Comissão de controle de Infecção Hospitalar (CCIH) vai analisar o surto para identificar as causas e determinar o tratamento. O resultado das culturas será divulgado nas próximas 48 horas. Funcionários e materiais estão entre os possíveis focos de contaminação.
O fechamento da Maternidade do HU não causou reflexos imediatos em outros hospitais da cidade. A assessoria da Santa Casa informou que pode haver aumento na procura no setor infantil nos próximos dois dias. No Hospital Evangélico, também não havia sido registrada alteração no movimento. A instituição tem quatro vagas na UTI Neonatal e todas estavam ocupadas ontem.
Moacir Sanches Mascaro, médico plantonista da Maternidade Municipal, disse que o movimento aumentou. Segundo o obstetra, o hospital recebeu duas gestantes, cujos partos normalmente seriam feitos no HU. A Maternidade possui seis vagas de UCI para gestações de baixo risco.

mockup