Contagem regressiva para o 'feriadão'
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terça-feira, 13 de novembro de 2001
Katia Michelle 
Malas prontas, cachorro com vizinho, fraldas extras para o menino, carro carregado, ignorando o pneu careca esquecido em algum orçamento apertado. Imprevistos não importam. Importante é aproveitar o feriado prolongado que se aproxima. Esquecer a rotina diária mesmo que enfrentando cinco horas na estrada sem duplicação. Ainda que atravessando intempéries, o que importa é esquecer que há rotina.
Carro pronto, crianças a postos. Espaço extra para o que resta dos brinquedos adquiridos no último feriado. A fila para a saída das praias é menor se a saída for adiantada. Cinco horas da manhã é um bom horário, arrisca o motorista. E segue viagem. Trânsito carregado, crianças chorando, malas sendo desfeitas para encontrar um objeto esquecido. Logo a mamadeira foi guardada, inadvertidamente, no canto esquerdo da bolsa fechada.
Malas abertas no meio do caminho, trânsito lento, sol a pino. Pneu furado, mas há acostamento. Ainda que não haja macaco. Um carro dirigido por um motorista solidário pára. Troca de pneus, comentários agradecidos, resta seguir viagem.
Malas recolocadas, uma esquecida na estrada. Crianças dormindo, trânsito fluindo. Chegando ao destino com a noite se aproximando. Limpar a casa fechada, guardar a comida levada. Ligar a televisão sem antena para que a noite logo vire dia. E o dia chega com chuva. Crianças em casa, macarrão na panela, carne no forno porque a churrasqueira está molhada. E um bom almoço de domingo com a família reunida. Se a antena for virada, a imagem da televisão melhora, alguém descobre. E o dia passa.
Agora é refazer as malas, embalar o que restou do almoço. Deixar a casa limpa para evitar baratas e encarar a viagem de volta. O ideal é sair mais cedo, para que o trânsito flua, lembra o motorista, feliz com o feriado, porque driblou a rotina, esquecendo intempéries do tempo e da vida.


