Contagem dos pombos surpreende pesquisadores
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quarta-feira, 09 de março de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Xô pombinha, xô. Se fosse tão simples assim espantar as aves, a população de pombos na Área Central de Londrina não incomodaria tanta gente, que até rojão já soltou para enxotar os bichos de penas. Basta caminhar pelo Bosque de manhã para constatar que, parafraseando o ditado popular, uma pombinha só não faz verão, mas um bando é capaz de fazer muita sujeira.
Um levantamento sobre as aves está sendo realizado por alunos da Unifil com a coordenação do ornitólogo Edson Varga Lopes. O levantamento pautará o trabalho de manejo que a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) pretende realizar. A contagem começou em novembro e a previsão é de que esteja concluída no final deste mês.
Os pombos são de duas espécies. A Columba livia, pombo-correio ou doméstico, e a Zenaida auriculata, conhecida como ''margozinha'' e que não é natural da região, mas que bateu asas e voou do Nordeste do país, viajando no bico do desequilíbrio ecológico.
Fechando um quadrilátero que compreende a Avenida Juscelino Kubitscheck até a Leste-Oeste e da Rua Brasil às imediações da Paranaguá, a contagem surpreendeu os pesquisadores.
''Em algumas ruas esperávamos um maior número de aves, como na Rua Santos. Porém, perto do Cemitério São Pedro, o número é elevado. Contamos pelo menos 400 pombos. Esse número é subestimado, acreditamos haver muito mais aves'', afirma o professor Mário Orsi, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e da disciplina de Ecologia da Unifil. Ele acompanha o trabalho dos estudantes.
A contagem ainda enumera alguns comportamentos das aves. A margozinha, por exemplo, durante o dia voa para a Zona Rural e pernoita na cidade. A proximidade da espécie com o homem está fazendo com que comece a construir ninhos nas casas e edifícios.
A contagem vai permitir à Sema saber se é viável construir um pombal, onde as aves seriam atraídas com alimentação. Os ovos são substituídos por artificiais para enganar as fêmeas, que poriam mais se fossem apenas destruídos. A assessora de gabinete da Sema, a veterinária Anne Christina Hiltel, acrescenta que a criação de pombal poderia contar com a parceria da iniciativa privada.
Enquanto isso, Irene Cruz Corrêa, moradora do Jardim San Fernando (Região Sul), quer saber o que será feito com tanto pombo na cidade. ''Já procurei a UEL, a Secretaria de Meio Ambiente, escrevi artigo no jornal na expectativa de resolver o problema dos pombos. As áreas livres do Centro estão impregnadas de excrementos.''
Na busca por uma solução, Irene sai para o ''ataque''. ''Há anos, as pessoas costumavam comer pombos. Existem tantas pessoas passando fome na cidade. Acho que poderia ser feito um viveiro e colocar esses flanelinhas (guardadores de carros) para cuidar das aves. É um modo interessante de controle, desde que se constate que as aves para o consumo não têm doença'', ressalta.
Anne Christina lembra que a idéia de confinar as aves para consumo não é tão ruim, mas somente poderia ser adotada para a espécie doméstica. Como as ''margozinhas'' são silvestres, qualquer medida depende de uma autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


