Contag ocupa fazenda em Porecatu
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sábado, 17 de abril de 2010
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Militantes da Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag) ocuparam ontem pela manhã a fazenda Marrecas, do grupo Atalla, na divisa entre as cidades de Florestópolis e Porecatu (Norte). Segundo um dos integrantes da coordenação coletiva, Josmar Choptian, cerca de 1,2 mil pessoas de todo o Paraná participam da ocupação. No entanto, a polícia militar que esteve no local diz só ter conseguido contabilizar cerca de 300 pessoas. A reportagem da FOLHA esteve na fazenda e também teve dificuldades em visualizar todo esse montante, já que os integrantes estavam espalhados por toda a sede. Entre eles, muitas crianças e mulheres.
O local em que os militantes armaram acampamento fica numa espécie de vilarejo onde moram atualmente 16 famílias que trabalham na Usina Central de Porecatu, responsável pela produção de álcool. A polícia militar pediu reforços de municípios vizinhos e faz o acompanhamento da ocupação.
Choptian comentou que a terra ocupada se trata de uma propriedade improdutiva e que passa por processo de desapropriação junto ao governo federal. Contudo, eram visíveis as enormes plantações de cana de açúcar na entrada da fazenda. ''Hoje (ontem) é o Dia Nacional da Luta pela Terra. Estamos aqui validando o movimento e ao mesmo tempo agilizando a desapropriação. São terras abandonadas onde estão sendo montadas as barracas. Daqui não vamos sair, a ocupação é fixa'', destacou. A fazenda, segundo ele, teria cerca de seis mil alqueires.
Já na próxima semana, o grupo pretende começar a plantar alimentos para subsistência. ''Vamos dar início ao plantio para termos o que comer e vender. Nós queremos trabalhar'', afirmou.
O cortador de cana Clayton Cordeiro, que mora há 20 anos na fazenda, disse que a ocupação foi tranquila. ''Acho que todos precisam ter seu pedaço de terra. Por mim, não há problema algum deles morarem aqui'', disse.
Outro morador, o cortador Rogério Maia, que mora no local há um ano com a mulher e filhas, também disse que durante a ocupação não houve agressão. ''Eles entraram nas casas que estavam abandonadas e que, muitas vezes, eram usadas por pessoas que fugiam da polícia. Até agora, está tudo calmo.''
Já as informações passadas pelo porta-voz do grupo Atalla, Alexandre Teixeira, são diferentes. Ele declarou, com base em relatos de funcionários da Usina, que a ocupação da fazenda Marrecas pela Contag não foi pacífica, e sim usou de ''extrema violência e armamento pesado''.
''Eles entraram (na propriedade) armados, expulsaram os funcionários e tacaram fogo'', disse. Segundo ele, a fazenda não é improdutiva e se encontra em funcionamento normal. De acordo com o porta-voz, a propriedade comporta lavoura de cana e criação de gado.
A reportagem tentou durante a manhã de ontem falar com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria de Segurança do Estado. A assessoria de imprensa do Incra informou que apenas amanhã poderá se manifestar sobre o assunto. Na Secretaria de Segurança, ninguém foi localizado. (Colaborou Mie Francine Chiba)


