Contador teria presenciado crime
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quinta-feira, 24 de junho de 2004
Janaina GarciaReportagem Local 
Uma ligação anônima e o depoimento de um contador que realizava a auditoria na Cipasa e que teria presenciado o crime são as pistas mais fortes que a Polícia Civil de Londrina possui para descobrir as causas do assassinato do empresário Ciro Frare, 67.
De acordo com o delegado do 1º Distrito Policial (DP), Marcos Belinati, uma pessoa telefonou se identificando somente como funcionária da Cipasa e teria revelado detalhes de uma suposta discussão entre o diretor Ibrain José Barbino e o proprietário da concessionária, momentos antes do crime.
''No telefonema, foi dito que eles teriam se desentendido antes de se reunirem. Nisso, Frare teria falado que o diretor estava 'na rua' e que seria preso. Além disso, a vítima estaria trazendo um novo diretor, remanejado de Maringá para Londrina, para ocupar o cargo de Barbino'', relatou o delegado.
Há cerca de 30 dias, foi iniciada uma auditoria nas contas da empresa para apurar os balancetes de 2000 a 2004. Há 20 dias, conforme o delegado, Barbino demitiu o primeiro contador e contratou Cidinei Aparecido Vaz, 39, que trabalha na empresa Zacarias Veículos, de Maringá. No momento dos tiros, conformou relatou à polícia, Vaz estava na sala para apresentar a ambos indícios de irregularidades nos lançamentos, que chegariam a R$ 3,7 milhões.
No depoimento do contador, ao qual a Folha teve acesso, ele disse que a conversa entre a vítima e o acusado não foi hostil, mas ''harmoniosa, sem discussão''. Ainda de acordo com o depoimento, a conversa durou cerca de 10 minutos, Barbino se ausentou por dois minutos e retornou já com uma ''arma de fogo de cor preta''. ''Pelo que o contador depôs, não era um desvio confirmado, e sim uma diferença no balanço'', afirmou Belinati. Conforme o delegado, informações colhidas de manhã davam conta de que Barbino teria sido demitido esta semana.
A reportagem tentou contato com os responsáveis pelo setor administrativo da Cipasa e com os filhos de Frare, que administram os negócios do pai, mas ninguém quis se manifestar.


