Conta de água vencida garante o tratamento
Conta de água vencida
garante o tratamento
As entidades que trabalham com portadores de necessidades especiais também enfrentam problemas para conseguir os medicamentos controlados distribuídos pela 17ª Regional de Saúde e também os não controlados que deveriam estar disponíveis em órgãos do setor.
Nelci Bacelar, assistente social do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), afirma que as dificuldades das mães em conseguir os medicamentos neurológicos para o controle de convulsões é constante. Elas conseguem um vidro, por exemplo, mas que não é suficiente para o mês e o restante teriam que comprar, afirma. Como são pessoas muito carentes, embora estes medicamentos sejam de uso contínuo muitas vezes as crianças passam períodos sem tomar os remédios. Ela cita o caso de um garoto de dois anos e meio que está sem os medicamentos para controlar as crises convulsivas. A mãe já foi encaminhada ao Conselho Tutelar para entrar com processo, explica.
A assistente social da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Maria Aparecida Guerra, acrescenta que a busca de um medicamento por parte de alguns pais de crianças atendidas pela entidade costuma resultar em uma verdadeira via sacra pelos órgãos da área da saúde. A solução na entidade, segundo a assistente social, tem sido o repasse feito através da Justiça de recursos conseguidos com pessoas que cumprem penas alternativas, mas só para a compra de medicamentos de primeiros socorros. Estas pessoas já forneciam estes medicamentos de primeiros socorros, mas trocamos por material de limpeza porque na época tínhamos estes produtos suficientes, explica, acrescentando que os remédios básicos voltarão a ter prioridade.
Outra alternativa, diz a profissional, é a compra de remédios com dinheiro do Clube de Mães ou de coletas feitas entre os voluntários da entidade. Quando nem assim consegue o dinheiro necessário, a mãe tem que procurar outra forma de conseguir o medicamento. É o caso de Maria de Lourdes Amaral, 43 anos, que este mês deixou de pagar a conta de água para comprar duas das três caixas de Tofranil (tranquilizante) receitadas pela médica da filha.
Conseguir um antibiótico ou mesmo um simples analgésico em um posto de saúde também não é fácil. Viviane Cristina Barbosa da Silva, 20 anos, tem uma longa experiência nesta missão. Ela já cansou de ir a postos de saúde buscar antibiótico, analgésico ou xarope para a mãe, a filha de 10 meses e até para o marido. Quase nunca tem. O jeito é pedir dinheiro emprestado ou deixar de pagar alguma conta para comprar na farmácia, afirma.
Segundo o promotor da Vara da Infância e Juventude, Marcos Neri de Almeida, nestes casos também é possível entrar com uma ação civil pública. Se a pessoa lesada é criança, adolescente, idoso ou portador de deficiência, deve-se procurar a Promotoria da Infância e Juventude. Em outros casos, o lesado deve procurar a Promotoria dos Direitos e Garantias Constitucionais. (E.P.)





