Consumo sustentável é desafio no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Luciano Augusto e Silvana Leão <br>Reportagem Local 
Privilegiado pela profusão de recursos naturais, o Brasil se vê na emergência de salvaguardar o que resta deste patrimônio e ainda garantir que a geração atual e as futuras vivam num país sustentável. Nos últimos anos, o crescimento econômico trouxe inegáveis benefícios, mas também fez emergir novos desafios como, por exemplo, o de fomentar atitudes e comportamentos de consumo mais conscientes e que gerem impactos positivos para o meio ambiente, economia e bem-estar para a sociedade.
Pesquisa apresentada recentemente pelos institutos Akatu e Ethos sobre responsabilidade social e percepção do consumidor - feita com 800 pessoas de 12 capitais, incluindo Curitiba - acendeu o sinal de alerta. Em relação à mesma pesquisa feita em 2006, houve aumento dos consumidores ''indiferentes'' e diminuição dos ''iniciantes'' e dos ''engajados''.
Os institutos avaliam que os resultados obtidos podem ter relação direta com a chamada ''festa do consumo'', insuflada pelo crescimento da classe C, pelo aumento de renda da classe D, pela democratização do acesso ao crédito, entre outros fatores, a partir de 2003. A renda média do brasileiro pulou de R$ 6,8 mil/ano (2000) para R$ 17,5 mil (2010). Os rendimentos dos 10% mais pobres cresceram 8% ao ano até 2008, enquanto a dos 10% mais ricos subiu 1,5% ao ano.
Só em 2009, um milhão de brasileiros deixaram a linha da pobreza. Hoje, a classe C tem o maior poder de consumo do país e a classe D está prestes a tomar o segundo lugar da classe B. Ao incorporar segmentos historicamente excluídos do consumo, ''é difícil imaginar que os novos consumidores assumam comportamentos conscientes, assim como que maiores parcelas dos antigos consumidores também o façam''.
Quem já adota comportamentos sustentáveis lucra com as vantagens. Nesta reportagem, moradores de Londrina mostram, com atitudes simples, que adaptando hábitos e comportamentos é possível contribuir para a melhoria da qualidade de vida de todos. Empresas também tem o dever de participar, como faz uma indústria de Rolândia que transforma oléo de fritura em biodiesel e matéria-prima para cosméticos.
Para que toda a sociedade se mobilize é necessária também a intervenção do Estado. O coordenador de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Paulo Roberto Castella, comenta que dois dos papéis fundamentais dos governos (Federal, Estadual e Municipal) é induzir transformações na população e fomentar parcerias com instituições e iniciativa privada. ''No Paraná, focamos principalmente nos três 'R's: reduzir, reciclar e reutilizar'', aponta.
Ele assegura que ações de educação ambiental nas escolas e em outros espaços deverão ser intensificadas no Estado. ''Quem não adotar processos mais limpos vai ser prejudicado. Já existem exigências no caso da madeira, da cana-de-açucar, entre outros produtos'', finaliza.


