Curitiba

Albari RosaLigadosO programa Ligue Luz Urbano fez 75 mil instalações de luz elétrica na periferia e nas favelas das cidades paranaenses nos últimos dois anosAs famílias paranaenses ainda estão na onda do consumismo que assolou o País após o período da estabilidade econômica. Apesar de uma desaceleração nas vendas no comércio, registrada entre os meses de março e junho, o consumo residencial de energia revela que a população não abandonou por completo a compra de eletrodomésticos. Entre julho e agosto, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrou um crescimento de 5,7% no gasto de luz em ambientes residenciais. O consumo familiar só ficou atrás do comercial, que aumentou 9,6%, e do rural, com 5,8%.
O aumento do consumo residencial tem sido constante desde o início do Plano Real. Segundo levantamento da Copel, as famílias paranaenses estão gastando 8% mais energia a cada ano, números considerados altos para os patamares brasileiros. Os produtos que mais contribuem para o consumo são o chuveiro elétrico e o ferro de passar roupa.
Há cinco anos, apenas um terço da população tinha os eletrodomésticos básicos. Hoje, três quartos das famílias têm o básico dentro de casa. Desta fatia, dois terços têm televisão em cores, vídeo-cassete, aparelho de som, refrigerador, ferro de passar roupa e utensílios de segunda necessidade como processador de alimentos, torradeira e forno de microondas.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, diz que o gasto de energia reflete o avanço social que houve com o Plano Real. ‘‘As pessoas podem hoje comprar os eletrodomésticos de que necessitam. Antes do plano econômico, havia apenas o básico dentro das casas’’, afirma. Hubert se refere ao chuveiro, refrigerador e uma televisão como produtos essenciais da família brasileira.
O aumento do consumo residencial de energia também está atrelado ao crescimento da área atendida pela Copel. Hoje, apenas 2% do Paraná não tem luz elétrica. Nos últimos dois anos e meio foram feitas 75 mil novas ligações urbanas, em áreas da periferia e favelas das grandes cidades. ‘‘Com o programa Ligue Luz Urbano nós levamos a energia elétrica para os consumidores e chegamos até a instalar pontos de tomada dentro das casas’’, diz o presidente da Copel.
Na zona rural, onde a instalação de energia é mais cara, a luz está sendo trocada por sementes. O agricultor paga o equivalente a R$ 1 mil em sementes de milho (25 quilos) e tem em troca a extensão elétrica. A Copel subsidia R$ 2 mil do total a ser investido. Desde 1995, foram feitas 27 mil ligações rurais de energia elétrica no Paraná.

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