O Conselho Regional de Farmácias do Paraná tem outra preocupação, segundo Tânia Maria Balbinotti: o aumento exagerado no consumo com a venda de medicamentos em supermercados. ‘‘O brasileiro é um dos que mais se automedicam no mundo. Por isso, o mercado é altamente estimulante’’, aponta. Ela prevê massificação de propaganda e banalização do consumo como consequências imediatas. E isso já estaria acontecendo: muitos fabricantes estão mudando as embalagens de seus produtos para torná-los mais atraentes aos olhos do consumidor.
Tânia Balbinotti apresenta um caso exemplar: o complexo vitamínico Vita-Base, da Jonhnson & Jonhnson e que custa R$ 16,73. Voltado para o consumo infantil, o complexo apresenta na embalagens desenhos da ‘‘Turma da Mônica’’. ‘‘Será que uma criança que tenha R$ 16,73 precisa de vitamina?’’, questiona, lembrando que alguns componentes do complexo inibem efeitos de antibióticos.
Ela lembra também que existe uma lei exigindo que os fabricantes destaquem nas embalagens o nome genérico dos produtos, e não o nome fantasia. ‘‘A lei existe, mas não está sendo cumprida’’, aponta. E completa: ‘‘A vigilância sanitária do Ministério da Saúde diz que falta estrutura para fiscalizar farmácia. Mas então quer abrir novos pontos de venda para quê? Medicamento não é um produto qualquer, se utilizado de forma incorreta pode ser gerador de doenças.’’

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