Consumo de remédio assusta C. Mourão
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segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Sid Sauer 
A Secretaria de Saúde de Campo Mourão não consegue manter os postos de saúde do município abastecidos com medicamentos da farmácia básica. Segundo a secretária Rosemeire do Carmo Martelo, está havendo um superconsumo que ultrapassa a capacidade da prefeitura de arcar com os medicamentos. Compras de remédios que antes abasteciam os postos por até três meses agora estão acabando em 30 dias, disse a secretária. Já chegamos a ficar sem nada no estoque, queixou-se.
A secretaria está fazendo um levantamendo para tentar descobrir as causas do aumento do consumo desenfreado. O consumo está estrondoso. Segundo ela, as filas em busca de medicamentos estão sendo formadas tanto nos postinhos espalhados pelos bairros, quanto na própria secretaria, na área central da cidade, onde são entregues os remédios mais caros e de uso controlado. Acho que está havendo uma descarga de outros municípios em Campo Mourão, considerou a secretária.
Rosemeire cita o exemplo do posto de saúde do Jardim Lar Paraná, que somente no mês passado distribuiu 800 frascos de Dipirona em gotas, um remédio usado contra febre e dor. Não tivemos todos esses atendimentos no bairro, garantiu. Será que todo o medicamento foi só para moradores de Campo Mourão?, questionou. A secretária disse que pacientes de outras cidades da região vêm preparados para mentir e usam endereços de parentes e amigos que moram em Campo Mourão para comprovar domicílio na cidade.
Não temos negado atendimento a ninguém, mas a situação está ficando crítica, disse Rosemeire. De acordo com ela, funcionários da secretaria já detectaram até pacientes do Mato Grosso do Sul pegando medicamentos em Campo Mourão. Um parente que mora aqui disse que havia remédios na cidade e a pessoa veio atrás do medicamento, contou a secretária. O resultado disso é que o gasto médio mensal de R$ 60 mil em remédios já não é mais suficiente para manter os postos abastecidos.
Emergência O levantamento pretende analisar a situação de posto por posto, mas a secretária admitiu que não será possível ter um dado exato dos remédios que são repassados a pessoas que são de outras cidades. Teremos um levantamento das pessoas que admitem que são de fora. Os remédios mais consumidos são o antibiótico ampilicilina, dipirona e AAS. O consumo de gazes para curativos também é elevado. Já tivemos que fazer duas compras emergenciais, contou Rosemeire.
A prefeitura também vem encontrando dificuldades com os laboratórios que fornecem os remédios. A dipirona, por exemplo, vem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Chegamos a ficar 10 dias sem o medicamento porque ele acabou antes do tempo e o laboratório não conseguia produzir para nos abastecer porque também tinha que repassar a produção para outras cidades, disse Rosemeire. Em outros casos, quando o remédio acaba, a distribuidora demora pelo menos três dias para entregar uma nova remessa.


