Consumo de chocolate com moderação
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
A Páscoa se aproxima e com ela as deliciosas opções de ovos de chocolate. Novidades não faltam. Porém, o consumo excessivo de chocolate pode acarretar perigos para a saúde das crianças, o que exige dos pais um controle melhor da quantidade consumida.
Para que a comilança não se torne um problemão, a FOLHA conversou com a coordenadora do curso de Nutrição da Unifil, Nilcéia Godoy, que dá as dicas. Segundo a nutricionista, cada 100 gramas de chocolate ao leite contém aproximadamente 500 calorias, ou seja, se uma criança consome um ovo de Páscoa de 500 gramas, ela estará ingerindo 2.500 calorias. Valor que, de acordo com ela, está muito além da necessidade diária de uma criança - cerca de 1.500 calorias.
Os principais sintomas do consumo excessivo de chocolate a curto prazo são intoxicação, diarreia e vômito. ''Mas se esse consumo se prolonga, a criança irá desenvolver obesidade e, associado a isso, o diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão arterial'', complementa a nutricionista.
Segundo Nilcéia, é cada vez mais comum observar crianças com três ou quatro anos que já apresentam distúrbios da pressão arterial e perfil de triglicerídeos alterados devido ao consumo excessivo de açucar.
Para a especialista, os pais deveriam comprar ovos de chocolate menores, com os de 100 gramas e em menor quantidade, pois geralmente os pequenos já começam a ganhar os ovos muito antes da Páscoa, na escola, de tios, padrinhos e avós. ''Eu recomendaria que os pais liberassem, mais ou menos, umas 30 gramas de chocolate no dia da Páscoa e, de preferência, do chocolate meio amargo, que tem menos gordura e mais flavonóides, substâncias antioxidantes, benéficas à saúde'', afirma.
A coordenadora do curso de Nutrição detalha que o chocolate ao leite é feito à base de uma massa de cacau e leite, que tem mais gordura, açucares e impede a absorção das substâncias benéficas do cacau. ''Já o chocolate branco tem um efeito ainda pior, pois é fabricado a partir de uma massa de manteiga de cacau, ou seja, ele tem só gordura e açucar'', acrescenta.
Caso a criança não goste do chocolate meio amargo, Nilcéia orienta que os pais ofereçam o chocolate sempre aos poucos e, de preferência, derretido com frutas. ''Dessa forma, ela estará consumindo fibras e não terá picos de insulina'', diz. ''Quando ela ingere muito açúcar, a criança necessita que seu pâncreas trabalhe muito para lidar com toda essa glicose'', explica.
Ainda de acordo com a nutricionista, a liberação de 30 gramas de chocolate para as crianças vale para a Páscoa. Essa quantidade não deve ser oferecida diariamente, porque após três meses do consumo diário, ela terá desenvolvido sobrepeso. ''E isso é um grande problema se considerarmos que cerca de 17% das crianças brasileiras já estam acima do peso ideal'', explica.


