Os alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão proibidos de promover festas e consumir bebida alcoólica dentro do campus. A decisão partiu da reitora Lygia Pupatto que, através de Ato Executivo, determinou que a prefeitura do campus recolha, apreenda e mantenha sob sua custódia toda e qualquer bebida alcoólica nas dependências da instituição. A decisão não agradou ao Diretório Central dos Estudantes (DCE), que ontem promoveu uma ''cervejada em comemoração à resistência''.
A reitora explicou que a medida atende ao Regimento Geral da UEL e a uma lei federal de 1996, que proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas em estabelecimentos públicos. ''Tomamos essa medida para melhorar a segurança interna da universidade'', ressaltou.
Em relação às festas que eram realizadas dentro do campus, Lygia esclareceu que já foram registrados vários incidentes. Segundo ela, em uma festa ocorrida há cerca de dois meses, no Centro de Educação e Artes, houve troca de tiros. ''Queremos evitar um episódio mais grave, como uma pessoa ser atingida por uma bala perdida ou a morte de alguém'', observou.
Sobre a resistência de alguns alunos, principalmente dos ligados ao DCE, em respeitar a proibição de vender ou consumir bebida alcoólica no campus, Lygia afirmou que será constituída uma comissão de sindicância para avaliar esses casos. Ela adiantou que os estudantes poderão receber desde uma advertência até serem excluídos do quadro da universidade.
O diretor do DCE, Fábio Rizza, justificou que a cerveja vendida no chamado ''Bar Livre DCE'' tem o objetivo de proporcionar uma melhor convivência entre os alunos. Sobre a manifestação de ontem, ele explicou que foi um ato de repúdio à tentativa da universidade de confiscar a cerveja que estava armazenada em uma sala do diretório. A tentativa, segundo ele, ocorreu na noite de anteontem, com a presença de um diretor e seguranças da universidade.
A preocupação com a segurança do campus fez com que Lygia se reunisse, no início da semana, em Curitiba, com o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Ela apresentou o projeto de melhoria do atual sistema de segurança. A reitora também se reuniu com a secretária de Estado de Planejamento, Eleonora Fruet, para solicitar a liberação de R$ 337 mil para compra de 132 câmeras de vídeo, construir guaritas e instalar alarmes. Eleonora prometeu analisar o pedido até a próxima semana.
Para a reitora, ''a comunidade universitária está em pânico'' com os sucessivos casos de violência registrados na universidade. Um exemplo da diversidade de bens roubados é que até frangos de corte utilizados em estudos do curso de zootecnia foram levados. Em apenas um dia, segundo ela, seis veículos foram arrombados nas proximidades do Hospital de Clínicas. ''Quando precisar chamar a polícia, nós vamos chamar'', alertou Lygia, falando ainda da preocupação com o tráfico de drogas no campus.

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