Consumismo pode ser risco ao meio ambiente
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
De acordo com especialistas, o consumidor patológico é aquele que perde o controle no momento da compra ou adquire produtos que nem serão usados. As consequências não são maléficas apenas para o bolso. O meio ambiente também sofre quando o alvo do consumo desenfreado são equipamentos eletrônicos, como celulares, cujo descarte irregular pode poluir a natureza.
Por isso, quando o assunto é consumo consciente, a palavra-chave é equilíbrio. O ato de comprar equipamentos novos é saudável para a economia, mas precisa estar associado ao conceito da responsabilidade ambiental. E essa responsabilidade consiste em descartar o lixo eletrônico de forma adequada.
A professora do departamento de química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carmen Luísa Barbosa Guedes, ressalta que é o poder público que tem a obrigação de orientar sobre a destinação correta. ''Não tenho obrigação de saber o que fazer com uma lâmpada velha, por exemplo. Todo fabricante tem que orientar sobre o uso e o pós-uso do produto. E é o consumidor que tem que fazer com que isso seja cumprido'', reivindica.
Ao ignorar a orientação e descartar o lixo tecnológico no lixo comum, o consumidor coloca em risco a própria saúde e a de outras pessoas. O problema são as substâncias químicas presentes em pilhas, baterias e equipamentos eletroeletrônicos. Uma pilha jogada num lixão pode ter o invólucro rompido e metais como o cádmio podem atingir mananciais ou o lençol freático.
A consequência mais grave pode ser a contaminação humana, uma vez que as substâncias podem acumular-se ao longo da cadeia alimentar. E os efeitos maléficos dependerão do limite de cada organismo.
A professora de química, no entanto, não isenta os consumidores de responsabilidade. Ela acredita que quem compra deve ter o interesse de buscar informações para dar a destinação correta aos produtos. Até um telefonema para o serviço de atendimento ao consumidor pode resolver.
E se uma simples pilha ou bateria já representa risco, imagine um celular ou computador. ''Não dá nem para saber a quantidade de metais e circuitos existentes no interior de uma televisão'', comenta. Por isso, quanto menos lixo eletrônico for descartado, melhor. Uma possível solução, então, é melhorar o índice de aproveitamento dos eletrônicos. Repassar os eletrodomésticos antigos para outras pessoas em vez de jogá-los no lixo, por exemplo, é uma alternativa ecologicamente correta.


