Quando um cidadão compra um eletrodoméstico defeituoso, a primeira coisa que pensa é em exigir a troca. Mas para quem se depara com uma larva e vários ovinhos ao morder uma singela barra de cereais, dificilmente a substituição do produto apaga o problema.
Esta foi a surpresa nada agradável que a funcionária pública Tânia Montezuma, 36 anos, de Londrina, teve há pouco mais de uma semana. A barrinha de banana, castanha, caju e mel da marca Montevergine, comprada em uma loja de departamento no Centro, seria seu lanche da tarde. Na primeira mordida, entretanto, ela achou a larva viva e uma teia de ovos grudada no doce.
''Liguei para o 0800 informado no pacote e eles pediram meu endereço para repor o produto. Dias depois chegou uma caixa de bombons da marca na minha casa, como compensação. Eles nem recolheram a barra estragada para averiguações'', contou. Segundo ela, dificilmente o problema ocorreu no transporte ou armazenamento do item, já que a embalagem estava intacta.
Loucos por cinema, ela e o marido, Tony, 36, estão acostumados a comprar guloseimas industrializadas para consumir durante as sessões. O episódio da larva tornou o hábito mais complicado. ''Agora, tudo que pego de pacote eu parto primeiro e olho bem antes de comer. Foi um trauma'', disse. Tony cobrou mais interesse das empresas em sanar problemas de qualidade.
''Eles tinham que interditar o lote e verificar tudo. Nos EUA, um fato desses pode render indenização milionária para um consumidor. Aqui no Brasil, eles vão dizer que tem gente que come larva no almoço'', ironizou. Ele disse que foi informado pela loja de departamento que a ocorrência é bastante comum e até ''natural'' em produtos com castanha e amendoim, embora não seja culpa do comerciante. ''Se é assim, que venha escrito no rótulo.''
A gerente industrial da Montevergine, Cristiane Correa, afirmou que o procedimento padrão da empresa é mandar um representante para recolher o produto junto ao reclamante. Este recebe uma correspondência com esclarecimentos após a análise. Cristiane alegou que a visita à londrinense não havia sido feita até ontem porque ela não fora encontrada.
O chefe do Procon em Londrina, Flávio Caetano, explicou que o consumidor pode apresentar denúncia no órgão ou tentar resolver o problema diretamente com o fabricante. ''A atitude mais certa seria a retirada de todo o lote para análise, até por defesa da própria marca. Pode ser apenas uma falha isolada e, neste caso, basta ressarcir o consumidor. Se o fabricante se recusar, a pessoa lesada pode procurar o Procon'', aconselha.
Outra via seria denunciar o fato à Vigilância Sanitária (VS). Entretanto, o departamento municipal só pode agir quando se trata de fabricante local. ''Se for de fora, o melhor é procurar a 17 Regional de Saúde, que irá encaminhar a queixa para Curitiba. No caso de produtos de origem animal, a reclamação pode ser feita diretamente no Ministério da Agricultura'', esclarece a coordenadora do setor de alimentos da VS de Londrina, Graça Deliberador.

Serviço:
A quem recorrer
Procon - 151
Vigilância Sanitária - (43) 3376-1901
17 Regional de Saúde - (43) 3379-6008

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