Uma mulher aos prantos, tremendo e gritando para que seu direito de consumidora fosse respeitado e extremamente irritada com a indiferença do atendente, que a destratou publicamente. ''Não comprem nada aqui porque aqui eles não respeitam o consumidor'', bradava a mulher.
Essa foi a cena que a reportagem presenciou em uma loja de Londrina e sua protagonista foi uma gerente de compras, que adquiriu um televisor de 50 polegadas por R$ 2 mil, mas o aparelho apresentou defeito e ela não conseguiu que o produto fosse trocado ou consertado em 40 dias de idas e vindas ao estabelecimento. ''A imagem apresentava listras verdes e roxas e na nota fiscal apareceu uma cobrança de juros que não deveria existir'', conta.
Só depois de se estressar em público a empresa concordou em ressarcir a cliente da cobrança dos juros indevidos e decidiu que irá reembolsar pelo televisor adquirido.
Assim como essa consumidora, outras pessoas passam por esta situação diariamente. O Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-Londrina) registrou no primeiro semestre deste ano 4.755 pré-atendimentos, sendo que 1.245 são referentes a problemas em produtos. Desse total 15,1% são relacionados a equipamentos telefônicos, 11,08% a informática, 5,62% relacionadas a veículos e 68,19% a demais assuntos. O descaso com os consumidores leva alguns desses clientes a crises de estresse extremo.
Foi o que aconteceu com o enfermeiro Henrique Lopes Almeida, 26 anos, que resolveu comprar dois celulares em uma promoção que oferecia aparelhos em dobro. ''Os quatro aparelhos deram problema e não funcionavam'', relata.
Ele conta que a empresa não quis trocar os aparelhos e levou para a assistência técnica, mas não havia peças sobressalentes para o conserto. Ele diz que comprou os telefones para dar de presente para familiares, mas acabou proporcionando uma dor de cabeça a eles. ''Meu pai ficou tão bravo que atirou o celular no chão, que se espatifou'', conta. Sua irmã acabou jogando o aparelho na patente.
Almeida entrou com uma reclamação no Procon e os outros dois aparelhos celulares ele conseguiu que a operadora trocasse. ''No final a operadora constatou que havia um problema no lote dos aparelhos celulares e resolveu trocar os aparelhos'', conta.
A agente educacional Valdelice Maria da Silva também teve problemas com o seu celular. Ela conta que adquiriu um aparelho e logo depois a bateria deixou de funcionar. Ela foi várias vezes à loja para tentar resolver o problema e mesmo assim não conseguiu que fosse atendida satisfatoriamente. ''Eu não cheguei ao extremo de jogar o telefone na parede, mas tive de levantar a voz várias vezes ao reclamar com o atendente e fui bem incisiva, pois eu não tenho sangue de barata'', conta. Ela entrou com um recurso no Procon, que conseguiu que a empresa ressarcisse o valor do aparelho.

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