Antes era o ''gato'' (ligação clandestina de energia elétrica) que colocava alguns moradores do Jardim Monte Cristo (Zona Leste de Londrina) à margem do acesso ao serviço público. Agora, com a situação regularizada e as faturas dos últimos meses nas mãos, eles não têm como pagar e reclamam dos valores cobrados.
A dona de casa Ivonice de Souza, 33 anos, mora numa casa simples com o marido, que está desempregado, e mais quatro filhos o mais novo tem apenas dois meses. Como outros moradores do bairro, a única renda dos Souza é o benefício social do governo federal. Nos últimos três meses, a família, que mora em dois cômodos, tendo apenas geladeira, televisão e uma máquina de lavar roupa, recebeu faturas de R$ 152,70; R$ 135,50 e R$ 81,74.
''À noite só fica acesa a luz da varanda, que é fluorescente para não gastar muito'', afirma Ivonice, acrescentando que o marido desligou o chuveiro elétrico para economizar energia. ''Nem roupa eu passo. A gente dá uma ajeitada no que vai vestir em cima da mesa, sem ligar o ferro'', continua a dona de casa, afirmando que está usando vela para cuidar do bebê à noite, desde que a luz foi cortada, na quinta-feira. Ivonice diz que na sexta-feira passada entregou na Copel um abaixo-assinado com 50 nomes de moradores do Monte Cristo, que estão na mesma situação.
Na casa de Maria Aparecida Gomes dos Santos, 33 anos, moram oito pessoas, sendo que ninguém está trabalhando. ''Aqui a gente é tudo humilde. É tudo pobre. Não temos condições nem de comprar um saco de cimento para fazer piso no chão, tendo que pagar esse absurdo de energia'', lamenta a mulher, que disse ainda ter recebido duas faturas da Copel, uma em seu nome e outra no do marido. Após reclamação, ela afirma que o problema foi resolvido.
Já a desempregada Maria Aparecida de Lourdes Novak, 53 anos, reclama ter dificuldades para pagar as faturas dos últimos meses de R$ 49,00 e duas no valor de R$ 38,00. ''Na minha casa, quando a gente liga a máquina de lavar roupa, desliga a geladeira. Procuro economizar o máximo'', explicou Maria Aparecida, que não usa nem chuveiro elétrico.
O assessor de imprensa da Copel, Marcelo Rothen, verificou a situação das consumidoras. Ele destaca que os moradores do Monte Cristo, através do programa Luz Legal, regularizaram a situação, acabando com os ''gatos'', pagando em 24 parcelas de R$ 11,63 pela instalação do postinho. Eles foram cadastrados para o benefício do Luz Fraterna, que isenta da cobrança de energia os consumidores inscritos em programas sociais do governo, desde que apresentem o Número de Identificação Social (NIS).
Para ser beneficiado, o consumo mensal não pode ultrapassar 100 quilowats. ''A dona Maria de Lourdes consumiu em janeiro 136 quilowats, quando o limite é 100. Nos dois meses seguintes, ela também ultrapassou o limite de consumo. Basta ter um gasto mais racional. A dona Maria Aparecida está na mesma situação, com um consumo médio de 130 quilowats. Provavelmente, o que está acontecendo é que algum eletrodoméstico esteja consumindo demais ou alguém está fazendo ''gato'' da casa dela'', aponta Rothen.
A situação de Ivonice é diferente: ''A dona Ivonice recebeu três avisos para apresentar o cartão federal do NIS e não compareceu. Mesmo que comparecesse, o consumo dela em janeiro foi de 314 quilowats. Em fevereiro, ela consumiu 266 quilowats e em março 151 quilowats, o que está longe da média prevista pelo Luz Fraterna'', assegura o assessor, que informa ainda que ela deverá comparecer à companhia para saldar a dívida de R$ 369,94, referente aos três últimos meses. Rothen salientou que a Copel não recebeu nenhum abaixo-assinado de moradores. ''Ela pode ter a dívida parcelada de acordo com as suas condições'', orienta Rothen.
O assessor da Copel conclui dizendo que a inadimplência no Jardim Monte Cristo é baixa. E orienta os moradores com problemas para que verifiquem a fiação elétrica ou se o aumento no consumo não está sendo provocado por algum eletrodoméstico. ''Naquela região muitas casas têm fiação inadequada. Um fio mais fino, por exemplo, esquenta mais, consumindo mais energia. Eletrodomésticos, como geladeiras velhas, com a borracha da porta estragada, também aumentam o consumo de energia'', afirma Rothen.

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