Quem mora em municípios da região metropolitana, principalmente em Pinhais e Quatro Barras, que abrigam quase que a totalidade dos mananciais responsáveis pelo abastecimento de Curitiba, reclama da falta de uma política mais eficaz da Sanepar. ‘‘É injusto ver que estamos do lado de um mundo de água (Rio Iraí), que cuidamos para manter a qualidade de quase tudo o que Curitiba bebe e nós sofremos com a falta de água’’, diz Eduardo Peron, do setor de Planejamento da Prefeitura de Quatro Barras. De acordo com ele, o rodízio da Sanepar atingiu todos os 18 mil habitantes da cidade, sem falar que 8% da população urbana nem ao menos é beneficiada pela rede pública de distribuição.
A crítica é ainda mais contundente por parte dos integrantes de Organizações Não-Governamentais Ambientais. ‘‘Faz mais de dois anos que a Sanepar vem dizendo que vai utilizar a represa do Iraí, e até agora nada. Tanto que, para suprir o problema, ela acabou usando o Aquífero Karst sem nem mesmo ter um estudo sobre os impactos que isto iria causar’’, critica o ambientalista João Belo, presidente da Xama. Junto com entidades de trabalhadores e produtores rurais de Colombo, a Xama entrou com uma Ação Civil Pública na comarca de Colombo questionando a exploração do Karst. Na ação, eles pedem a realização de estudos de impacto ambiental para a exploração do aquífero, o que deve ser concluído até meados de 2001, além da procura de alternativas para o abastecimento, como o uso da água da Represa Capivari e do Sistema Açungui de Abastecimento.
O sistema Karst foi colocado em operação em outubro de 1997, ao custo de R$ 20 milhões e previsão inicial de explorar 600 litros por segundo. Diante das dificuldades encontradas com o manancial e a resistência dos agicultores, a Sanepar explora hoje só 160 litros por segundo. Com a estiagem, entretanto, foi feito um acordo com as entidades para reaprofundamento de poços da região de Fervidas e construção de três novos poços em Boicininga, na região de Colombo.
Teresa Urban, do Fórum de Defesa do Meio Ambiente do Paraná, acredita que a situação de abastecimento é pior do que a apresentada pela Sanepar, já que dados da Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba apontam um déficit de 25 a 30% na distribuição de água. ‘‘É um problema quase crônico. Primeiro, porque a Sanepar é uma empresa estadual e tem que atender todo o Estado e não só o Sistema Integrado da Região Metropolitana. Depois, porque não adianta só ter uma rede que atinja tudo se não temos água que chegue em todos os locais’’, diz. Um alerta da ambientalista é feita no sentido de que a ocupação desordenada do solo, seja através de invasões ou de construções de indústrias em áreas de mananciais, pode trazer danos irreversíveis. ‘‘A oferta de água está relacionada com o bom estado dos rios’’, diz.(M.G.)

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