Consumidor troca arroz por fubá em Maringá
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quinta-feira, 07 de novembro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - O aumento de preços da cesta básica está provocando mudanças no hábito de consumo da população de baixa renda e na forma de venda dos pequenos comerciantes. A troca do arroz pelo fubá e a prática de vender picado já são realidade nos bairros da periferia de Maringá e Sarandi. Famílias que sobrevivem do salário mínimo estão deixando de comprar produtos básicos da alimentação por falta de dinheiro. Os comerciantes afirmam que sentiram uma queda de 30% nas vendas em geral. Em gêneros como o açúcar, a redução foi de até 50%.
O comerciante Wilson Balena, dono de um pequeno mercado no Conjunto Requião, bairro da periferia de Maringá que concentra cerca de 25 mil habitantes, disse que está abrindo saco de cinco quilos de açúcar para vender separado porque muitos consumidores não têm condições de comprar o pacote inteiro. Vender a granel o arroz também já é prática utilizada pelos comerciantes de mercearias e pequenos mercados para garantir o produto a pessoas que chegam com menos de R$ 1,00 na tentativa de levar um pouco de comida para a casa.
A comerciante Lucilene Ferreira da Silva Zago, também do Conjunto Requião, afirmou que fica triste de perceber que as pessoas têm necessidades, mas são obrigadas a reduzir o consumo por falta de condições financeiras. Lucilene constatou que nos últimos 30 dias, fregueses que tinham o hábito de na compra mensal adquirir seis pacotes de arroz tipo 1, diminuíram a quantidade para quatro e do tipo 2. ''Estão consumindo menos e com qualidade inferior por causa do preço'', diz Lucilene. ''Algumas marcas já estão sentindo a pressão do consumidor e vendendo esta semana com uma redução de 13%, mas a situação não é fácil'', lamenta o comerciante Wilson Balena.
A dona de casa Joana da Silva, 48 anos, que mora no Jardim Novo Independência, na periferia de Sarandi, disse que a polenta feita com fubá é a opção para o sustento de outras seis pessoas, entre marido, filhos e enteado que dividem a casa. Ela contou que apenas um dos filhos trabalhava até pouco tempo e que há 90 dias sobrevive da cesta básica fornecida pela igreja Congregação Cristã do Brasil.
Já a dona de casa Ivonete da Silva Melo, 28 anos, casada e mãe de duas filhas com sete e cinco anos de idade, disse que gastou este mês R$ 130,00 na compra de mercado, sendo que em outubro o valor foi de R$ 80,00. ''Deixei para trás leite e bolachas para as crianças'', afirmou Ivonete.


