Giordani Rodrigues
Especial para a Folha
De Curitiba
Consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão demorando meses até serem autorizadas. Se alguém precisar de uma consulta com especialista hoje, é bem provável que só venha a ser atendido no ano 2000. Os principais problemas têm ocorrido com as especialidades de endocrinologia, otorrinolaringologia, neurologia, oftalmologia e cirurgia pediátrica.
No posto de saúde do SUS em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. A atendente do posto informou que não há previsão para consultas nessas especialidades e que só agora estão sendo agendadas as solicitações feitas em março. A cabeleireira Etni Dias Pontes, que mora na região, está tentando conseguir desde abril um neuropediatra para seu filho Alisson, de três anos. A criança tem constantes convulsões, chegando quase ao desmaio.
O secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, confirma que o problema existe, mas diz que a questão extrapola as esferas municipais e estaduais. ‘‘A principal causa da falta de especialistas é a tabela do SUS que está defasada, o que provoca desinteresse dos médicos mais requisitados’’, acredita. O secretário diz que há também uma sobrecarga do sistema, por causa do absenteísmo, que chega 30% das consultas.
Ducci espera amenizar os problemas de Curitiba por meio de parcerias com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná e o Hospital Evangélico, além da construção de um centro de especialidades no Bairro Novo, dentro de dois meses.
Na opinião do secretário, a medida mais eficiente parte do governo federal, ao condicionar o pagamento do Fator de Incentivo ao Desenvolvimento de Ensino e Pesquisa (Fideps) para os hospitais univesitários. A partir de janeiro do ano que vem, somente os hospitais universitários que disponibilizarem todos os seus especialistas para as centrais de atendimento do SUS poderão receber o Fideps. A Folha entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde, mas o responsável do setor estava em reunião.

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