Consulado resgata mulheres aliciadas
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaBlitzJordelina de Souza, a Jaqueline, foi retirada da Boate Kimes O Consulado do Brasil em Paso de Los Libres, na Argentina, conseguiu resgatar duas prostitutas brasileiras que foram aliciadas para trabalhar em boates de Corrientes, capital da província de Corrientes. Uma das meninas, Jordelina de Souza Valentine, a Jaqueline, de 25 anos, que trabalha em uma boate no centro de Foz, denunciou que vivia em cárcere privado e em regime de semi-escravidão na Argentina. Elas foram resgatadas em uma blitz, depois que a Folha denunciou o caso, em fevereiro.
Atraída por uma proposta de ganhar até 150 pesos argentinos por dia (cerca de R$ 165,00), Jaqueline e uma amiga, Lúcia de Oliveira, 22 anos, foram levadas de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com o Brasil, em fevereiro deste ano. A proposta veio de uma mulher, conhecida como Adriana, e dos argentinos Romão e Fagundo.
Nos deixaram em um hotel de Puerto Iguazú e voltaram ao Brasil para selecionar mais meninas. Os argentinos adoram brasileiras, diz Jaqueline. As duas garotas foram levadas para a boate Kimes, em Corrientes. Porém, Jaqueline acredita que as demais selecionadas foram levadas para outras boates que pertencem a Adriana, Fagundo e Romão.
Segundo ela, a mesma boate explora garotas menores de idade. Porém, ela conhecia apenas uma paraguaia menor de idade, Andréia, que vivia na Kimes. Nós recebíamos informações de clientes, que nos falavam que existem várias boates na região que mantêm brasileiras e, algumas delas, menores de idade, afirma.
Nos primeiros dias, Jaqueline pagava 30% dos programas aos donos da boate. Depois, era obrigada a atender clientes, fazer strip-tease de graça e ainda tinha que pagar as refeições e exames periódicos. Pagávamos até a ficha da vitrola para tocar a música do show de strip-tease. Como não recebíamos o programa, sempre ficávamos devendo, conta.
De acordo com Jaqueline, a boate era sempre vigiada por policiais armados com espingardas, que faziam bico na casa. O local, segundo ela, é cercado por muros feitos de placas de ferro. Além dos programas e shows, ela era obrigada a fazer limpeza e serviços domésticos.
Eu chorava muito para voltar ao Brasil. Mas o Fagundo sempre dizia que preferia nos ver mortas ao invés de nos libertar. Nas batidas policiais, éramos orientadas para não denunciar o regime de escravidão e a situação ilegal da nossa permanência na Argentina, afirma.


