Lucilia Okamura
De Londrina
O Conselho de Saúde da Região Sul de Londrina (Consul) encaminhou ontem à tarde, ao Conselho Municipal de Saúde, um ofício solicitando uma reunião extraordinária. O objetivo é discutir o descredenciamento do pronto-socorro do Hospital Evangélico (HEL) do Sistema Único de Saúde (SUS), anunciado anteontem pela diretoria.
O atendimento no pronto-socorro do HEL será paralisado a partir do dia 26 de dezembro. A alegação da diretoria é a defasagem entre os custos para manter a infra-estrutura do setor e os recursos repassados pela União. O prejuízo mensal, segundo o hospital, com o atendimento aos pacientes do SUS é de mais de R$ 300 mil.
O presidente do Consul, Nelson Cardoso, lamentou a decisão do HEL, apesar de ressaltar que a tabela do SUS está defasada. Ele disse que a responsabilidade do descredenciamento é do gestor municipal, responsável pelo gerenciamento do SUS. Segundo ele, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu o pedido do descredenciamento no dia 26 de outubro e poderia ter tomado alguma providência para evitar isso.
Cardoso informou que a reunião que solicitou junto ao Conselho de Saúde tem o objetivo de encontrar alguma saída para o problema. Ele pediu que o encontro tenha a participação também dos representantes dos cinco conselhos regionais, da comissão de saúde da Câmara de Vereadores, do Centro de Direitos Humanos e da Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais. ‘‘A gente não tem cadeira no conselho, mas acho que poderemos contribuir para tentar reverter esta situação’’, defende.
O secretário municipal de Saúde e presidente do Conselho Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, disse ontem à tarde que não havia recebido o ofício e, por isso, não poderia se pronunciar sobre o assunto.
Ontem, estavam de plantão a Santa Casa e o Hospital Universitário (HU). Nos dois hospitais, poucas pessoas tinham informações do descredenciamento do HEL. ‘‘Não sabia, mas acho que vai ficar muito ruim para todos que dependem do SUS’’, disse Ilda Pires. Ela estava na Santa Casa, acompanhando a mãe, que aguardava atendimento. A lavradora Ana Chanan, de Tamarana, disse que tem plano de saúde, mas observou que muita gente não tem condições de pagar pelo atendimento à saúde.
‘‘Mais uma vez é o pobre que sofre’’, desabafou a assistente de cabeleireira, Raquel Chanan, que ficou sabendo do descredenciamento do HEL pelo jornal. ‘‘Isso vai sobrecarregar o serviço nos outros hospitais’’. A dona de casa Kátia Vargas, de Tamarana, contou que no ano passado procurou o HEL e foi bem atendida. ‘‘É uma pena que vão parar de atender o pessoal do SUS’’.
A chefe da 17ª Regional de Saúde, Rosilene Aparecida Machado, também lamentou a decisão da diretoria do HEL. Ela acredita que uma alternativa para minimizar o problema é tentar fazer uma recomposição com os hospitais credenciados e buscar alternativas na região. Uma delas, sugeriu, é tentar viabilizar recursos para o HU.

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