A abertura da 40ª Exposição Agrícola da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) ontem de manhã contou com diversas apresentações artísticas, desde street dance até uma apresentação da arte do tambor japonês, o taiko, pelo grupo Godaiko.
O grupo vindo de São Paulo fez uma pequena apresentação durante a solenidade de abertura da feira e à tarde ministrou um workshop para os interessados em conhecer um pouco mais sobre a arte do tambor japonês. O grupo formado por cinco jovens, cujo líder é Alexandre Harakava, imprimiu um estilo modernista à antiga tradição japonesa.
A arte do tambor foi introduzida no Japão junto com o budismo. O instrumento era utilizado junto com o Gongo – alguns templos ainda utilizam – para ritmar as rezas durante os cultos, segundo Alexandre Harakava. Com o tempo o tambor saiu dos templos e passou a fazer parte de manifestações folclóricas, se popularizando.
Harakava afirma que o instrumento também foi utilizado no comando de tropas de guerra. Após a Segunda Guerra Mundial a tradição japonesa ganhau um cunho artístico com o tambor se transformando em instrumento de performance. ‘‘O objetivo era levantar a moral do japoneses modernizando algo que era tradição do povo’’, explicou Harakava.
O grupo de São Paulo nasceu há seis anos e busca unir a tradição da arte japonesa com a música contemporânea. ‘‘Nós surpreendemos o público porque aqueles que não conhecem o nosso trabalho associam o taiko com as tradições japonesas que são mais monótonas’’, afirma. ‘‘Nós tocamos músicas animadas, inclusive ritmos brasileiros.’’
A apresentação do grupo foi assistida por diversas autoridades que estavam na abertura da feira, inclusive pelo cônsul-geral do Japão no Paraná, Hajime Sasaki. Esta foi a primeira vez que ele visitou a Exposição Agrícola da Acel, embora já tenha vindo outras vezes a Londrina neste primeiro ano em que está no consulado.
Hajime Sasaki ressaltou em entrevista a Folha a importância da Exposição Agrícola. Segundo ele, ‘‘em cinco anos, o mais tardar’’ o mundo estará reconhecendo a importância da agricultura brasileira, por isso o grande significado de uma feira como esta.
O crescimento populacional é que irá despertar o mundo para o potencial agrícola do Brasil, segundo o cônsul. ‘‘Hoje a população mundial é de 6 bilhões de pessoas e segundo projeção da ONU, em 2025 será de 8 bilhões e 400 milhões de pessoas no planeta’’, afirmou. Para produzir alimento para esta demanda mundial, segundo ele, ‘‘só existe uma área com condições de expansão agrícola: o Brasil e os países do Mercosul’’.
O cônsul afirmou ainda que espera-se do governo do Estado do Paraná um desempenho a altura do potencial agrícola do estado. ‘‘No Brasil, o Paraná é reconhecidamente o grande celeiro da agricultura, por isso o Estado precisa ter um desempenho excepcional’’. Hajime Sasaki participa hoje do culto ecumênico que será realizado em homenagem aos 92 anos da imigração japonesa. Hoje também é o último dia da exposição de produtos agrícolas da 40ª Exposição Agrícola. Estão expostos e a venda 300 tipos e três mil amostras de produtos trazidos por 400 produtores da região. A comercialização destes produtos foi restrita a dois dias por serem perecíveis.
De amanhã até o próximo domingo o espaço dos produtos agrícolas será ocupado por uma exposição e comercialização de peças cerâmicas. A feira vai até o próximo domingo e os visitantes também poderão participar de oficinas. Os ingressos custam R$ 1,00. A Expoacel fica na Rua Paulo Kawassaki, 101, centro.

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