Emerson Cervi
De Curitiba
Representantes de dez entidades de classe da construção civil e mercado imobiliário de Curitiba oficializaram ontem que são contra a proposta de lei de zoneamento e uso de solos defendida pela prefeitura. O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Eliel Lopes Ferreira Junior, o vice-presidente do Sinduscon, Roberto Valente, e o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Carlos Rodrigues Martins, divulgaram o documento: ‘‘Esclarecimentos à opinião pública: alerta quanto as riscos de um planejamento urbano aprovado às pressas, sem a participação da sociedade organizada’’.
As entidades de classe discordam da proposta do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), entregue pelo prefeito Cassio Taniguchi (PFL) na última sexta-feira, dia 12, ao presidente da Câmara, João Claudio Derosso. Eliel Lopes Ferreira Junior disse que a prefeitura está distorcendo informações e divulgando inverdades sobre as sugestões ao projeto. ‘‘Em nenhum momento a prefeitura esteve disposta a aceitar nossas propostas, não endossamos e não aceitamos ser corresponsáveis pelas medidas incompletas e incorretas que o projeto reúne’’, afirmou.
De acordo com Eliel, as reuniões públicas promovidas pelo Ippuc não podem ser consideradas debate público. ‘‘Todo o processo é autoritário’’. O presidente do Ippuc, Luiz Hayakawa, principal alvo das críticas dos empresários, respondeu que ‘‘os interesses da população de Curitiba estão acima dos interesses de grupos específicos’’. Por isso a proposta original será mantida.
Os representantes das entidades de classe vão apresentar suas sugestões aos vereadores, para que sejam incluídas à proposta em forma de emenda parlamentar. Para eles, o ideal seria um prazo maior de discussões. ‘‘Vamos tentar todas as medidas para evitar que a redação da lei seja aprovada da forma como estᒒ, afirmou o presidente do Sinduscon. ‘‘Esperamos que os vereadores de Curitiba demonstrem ter a sensibilidade que falta aos técnicos da prefeitura’’. Roberto Valente assegurou que se for preciso, as entidades entrarão na justiça para provar a inconstitucionalidade da lei.
Assessores do prefeito Taniguchi informaram ontem que não está prevista nenhuma mudança na tramitação do projeto de lei na Câmara. Derosso manteve ontem à tarde a previsão de votação da proposta até dia 15 de dezembro.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, vereador Rui Hara (PFL), espera receber oficialmente os projetos na próxima terça-feira. A lei de zoneamento foi dividida em sete projetos independentes, que até ontem estavam sendo analisados pelo Departamento Jurídico. Segundo Hara, a CCJ vai preparar sete relatórios independentes sobre a legalidade das propostas.
Depois disso, o projeto seguirá para a Comissão de Urbanismo e Obras Públicas. O presidente dessa comissão, Borges dos Reis (PSDB), que já fez críticas ao projeto na semana passada, combinou com outros vereadores para que sejam apresentadas emendas legislativas em conjunto.Essa é a maior crise entre o prefeito Cassio Taniguchi e o setor da construção civil e mercado imobiliário
Arquivo FolhaPAREDÃOA prefeitura quer uma lei de uso de solos para o futuro, mas construtores e empresários do setor imobiliário são contra as mudanças nas regras

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