Construtoras da região de Cascavel, contratadas para reformas e ampliações em escolas estaduais, através do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio do Paraná (Proem), negam-se a entregar as obras porque o governo está atrasado com os pagamentos. Em muitos casos, os projetos já estão concluídos, mas as construtoras não querem entregar as chaves nem ligar luz, água e outros serviços.
Em Cascavel, oito empresas exigem o pagamento imediato. Alguns empresários procurados pela Folha foram incisivos nas queixas, mas pediram para não serem identificados. Um deles relatou que o Estado deveria liberar os pagamentos de acordo com medições em partes já concluídas das obras, ‘‘mas isso não ocorre desde novembro do ano passado’’.
As ampliações e reformas foram contratadas através das Associações de Pais e Mestres (APMs), às quais o Estado repassa os recursos. Os pagamentos deveriam ocorrer em cinco parcelas, mas segundo um construtor, ‘‘há obras prontas com várias parcelas atrasadas’’. Apenas em Cascavel, as obras prontas ou em andamento envolvem recursos de R$ 900 mil. ‘‘Metade deste valor já deveria ter sido paga’’, diz a fonte ouvida pela Folha.
Marco Guilherme, diretor da construtora Guilherme, afirma que ‘‘a situação é real’’, mas prefere não fazer comentários. A empresa dele faz ampliação e reformas no Colégio Washington Luiz. O trabalho já dura quatro meses, com mão-de-obra de 35 operários, e não foi concluído, por causa do atraso nos pagamentos.
Segundo o secretário estadual de Obras, Augusto Canto Neto, em todo o Estado, com mil obras do Proem, os pagamentos em atraso somam R$ 12 milhões, e a justificativa são as ‘‘dificuldades financeiras’’ enfrentadas no plano estadual e nacional. No entanto, também estaria havendo atrasos por parte de empreiteiras, em relação ao cronograma de obras. Canto Neto relata que o governo estima poder regularizar os pagamentos até o próximo mês.
O Oeste paranaense é a região onde há mais problemas em relação às obras do Proem. O resultado será a introdução, já decidida, de mais um turno de aulas em muitas escolas, o que implicará em menor carga horária para cerca de cinco mil alunos. Ao mesmo tempo, aumentarão os custos de tranporte de alunos, para o qual o Estado não repassa verbas às prefeituras, que ameaçam não mais fazer o transporte.

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