O Ministério Público do Paraná, através da Promotoria de Defesa do Consumidor, está pedindo o fechamento da Construtora Souza Braz, com sede em Curitiba, acusada de ter lesado centenas de consumidores. Até o momento 366 pessoas denunciaram o problema na Promotoria, mas o número de compradores deve ser maior. Desde 1995, a construtora anunciava a construção de cinco empreendimentos que acabaram não saindo do papel, apesar de ter cobrado entrada e prestações dos clientes.
Segundo o promotor de Defesa do Consumidor, João Henrique Vilela da Silveira, somente com os 366 consumidores a Souza Braz arrecadou aproximadamente R$ 1,2 milhão. O promotor conta que o problema começou em 1995, quando a construtora lançou no mercado o projeto do Edifício Residencial Lancaster, que seria implantado no bairro Cabral, em Curitiba. Muitos compradores pagaram entrada e prestações, mas não receberam os imóveis. Mais tarde, a empresa admitiu que não teria condições de continuar a obra, e chegou a devolver pequenos valores aos consumidores.
Ainda no mesmo ano, a construtora voltou a lançar o Residencial Jequitibá, que só teve a fundação iniciada. O projeto também não prosseguiu e, mesmo assim, a empresa vendeu ainda na planta apartamentos dos empreendimentos Ouro Preto, Vila dos Professores e Vila do Funcionalismo. A sequência dos lançamentos mostra a intenção da empresa, na opinião do promotor. ‘‘Houve uma teimosia proposital criminosa’’, diz João Silveira.
A Construtora Souza Braz é de propriedade de Wilson Roberto de Souza e sua mulher, Ângela Rita Naman de Souza, que não foram encontrados ontem pela reportagem da Folha. Além deles, a ação penal impetrada pelo Ministério Público denuncia ainda como co-autores os dois gerentes, Marco Cezar de Souza e Jean Alex da Silva, e o contador da empresa, Roberto Zenz. Eles respondem por crime de estelionato, que prevê pena de um a cinco anos de detenção ou pagamento de multa, que é estipulada pela Justiça. O promotor acredita que, neste caso, a pena poderá ser máxima.

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