Giovani Ferreira

Celso MargrafLorena Ferraz: contra novo financiamento para quitar seu imóvelOs mutuários de dois condomínios residenciais de Ponta Grossa levaram um susto no início desta semana, quando foram chamados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para refinanciar o saldo devedor da casa própria. Muitos moradores que haviam quitado todas as prestações de seus apartamentos não conseguiram dar baixa na hipoteca do imóvel porque estavam com saldo devedor.
A Construtora Calladio, com sede em Curitiba, é a responsável pela construção das 204 unidades habitacionais dos condomínios Guarani e Tibagi e intermediária do financiamento dos imóveis. Ela recebia dos mutuários mas não repassava para a Caixa. Os moradores financiaram o imóvel em cinco anos, mas somente agora foram acionados pela CEF para tomar ciência da situação. De acordo com José Roberto Pegoraro, um dos proprietários da Calladio, a construtora deixou de repassar as prestações para a CEF há um ano.
Os mutuários foram chamados pela Caixa e pela direção da construtora para uma reunião na última terça-feira. Agora a Calladio está procurando negociar pessoalmente com cada um deles. A proposta inicial, feita pela CEF e pela construtora, é que os mutuários assumam um novo financiamento, no valor de R$ 25 mil, recebendo em troca a escritura do apartamento e uma espécie de bonificação, que daria direito a um outro imóvel no valor do financiamento.
A proposta desagradou os moradores. Lorena Ferraz Neto, uma das moradoras do Guarani, garantiu que não tem interesse em contrair um novo financiamento. Sandra Antunes, também do Guarani, está sem saber o que fazer. Disse que vai procurar entrar algum outro tipo de acordo com a construtura. No entanto, José Pegoraro explicou que a construtora não cogita a possibilidade de os mutuários não aceitarem a proposta.
Conforme informações da CEF, dos 204 apartamentos construídos pela Calladio, apenas 47 tiveram suas hipotecas liberadas. Essas unidades são daqueles mutuários que financiaram seus imóveis direto com a Caixa Econômica. Segundo o gerente de Habitação da CEF em Ponta Grossa, Marcos de Almeida, os mutuários tem até o próximo dia 26 para se posicionarem sobre a proposta de assumir um novo financiamento.
Amanhã os mutuários do Guarani fazem uma reunião para tentar alguma solução para problema. Alguns moradores já procuraram uma assessoria jurídica para buscar seus direitos na Justiça. Os apartamentos possuem 92 metros quadrados e foram construídos há cinco anos.

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