A Justiça determinou a paralisação das obras do viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro, em Londrina. A decisão atende o pedido de providências assinado pelo promotor Paulo Tavares, responsável pela Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais.
Na justificativa para determinar a suspensão dos trabalhos no viaduto, o juiz Osvaldo Taque enfatizou que há dúvidas quanto à segurança e solidez da estrutura, "não havendo certeza de sua estabilidade, configurando potencial risco aos cidadãos" que utilizam a via. As rachaduras no muro de contenção também são alvo de investigação na Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, desde setembro do ano passado. As primeiras fissuras, no entanto, foram descobertas ainda em 2014.
Desde então, o Ministério Público solicitou que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR) tomasse as medidas administrativas cabíveis para solucionar as falhas na obra. Reuniões entre o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), o órgão estadual e vereadores também foram feitas para discutir a estrutura do viaduto.
Para os moradores da região, é incompreensível que uma obra apresente tantos problemas antes mesmo de ser concluída. A vendedora Mariana dos Santos, de 49 anos, passa diariamente debaixo do viaduto para ir ao supermercado. "É esquisito ver esse negócio todo rachado", comentou. Ela destacou que muitas vezes passa com o filho neste mesmo trecho da via e confessou ter medo de que um dia o viaduto possa cair por causa das rachaduras. "Mas, para dar a volta, o mercado fica muito distante. O jeito é passar por aqui mesmo", apontou.
Outro morador da região, Jhone Ricardo da Silva, de 31 anos, trabalha como coletor de lixo e contou que sempre aguarda o transporte para o trabalho próximo ao viaduto. "Eu procuro nem ficar debaixo disso", confessou. Para ele, a obra utilizou menos material de construção do que o recomendado e, por isso, as rachaduras surgiram. "Eu acho que economizaram demais. Não preciso nem falar o porquê disso", ironizou.

PARECER TÉCNICO
Na semana passada, o Ceal apresentou um parecer técnico no qual apontou a instabilidade da edificação e concluiu que havia a necessidade imediata de paralisação dos trabalhos. O presidente da entidade, José Fernando Garla, destacou que são várias as causas das rachaduras, que podem envolver a mecânica de solos, a estrutura e a execução da obra. "O que vai determinar o que vai ser feito são os laudos técnicos. Foi feito algum trabalho de reforço, mas não teve o resultado esperado e a gente está apreensivo em relação a isso. É necessário fazer um monitoramento e um estudo criterioso com mensurações", argumentou.
O engenheiro civil, especializado na área de Geotecnia, Carlos José Costa Branco, fez parte da comissão que fez o parecer técnico do Ceal. Segundo ele, a paralisação da obra é necessária para que os reparos emergenciais não mascarem uma situação mais crítica. O Ceal solicitou informações sobre o projeto e demorou um ano para conseguir detalhes da obra. "O que está sendo executado não é o que foi projetado. É preciso que eles apresentem uma justificativa técnica para as mudanças", expôs.
Após a realização de várias reuniões e as ausências de representantes da construtora e do DER-PR, um novo encontro foi agendado para o dia 22 de fevereiro. "Para essa reunião, o Ministério Público oficiou todas as pessoas que participaram da obra, para que todos relatem o que aconteceu e apontem uma solução", criticou. Segundo ele, é preciso, inclusive, que os subempreitados compareçam.
Conforme a decisão judicial, o DER-PR, juntamente com a construtora responsável, deve apresentar ainda hoje um plano de monitoramento das rachaduras existentes. Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem reafirmou que "não há risco na execução da construção do viaduto da Avenida Dez de Dezembro". No entanto, "suspendeu as obras, acatando um pedido do MP". "O DER pretende prestar todos os esclarecimentos e sanar todas as dúvidas do Ministério Público, em reunião já agendada, para depois retomar as obras do viaduto", finaliza a nota. (Colaborou Rafael Machado, do Grupo Folha)

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