Construtora é acusada de estelionato
Sid Sauer
De Campo Mourão
Os moradores do Residencial Valência, de Campo Mourão, Idevalci Maia e Olivo de Matos, apresentaram ontem uma queixa-crime contra os sócios da Construtora Décimo-Solar (hoje desativada), Celso Tanaka e Dilmar Potrick. Eles acusam os dois de estelionato. Os moradores fazem parte de um grupo de nove pessoas que compraram apartamentos no residencial há sete anos, mas até hoje estão sem escritura e, mesmo tendo pago pelos imóveis, não são reconhecidos pela Caixa Econômica Federal, que financiou parte das obras.
Compramos na boa fé e a construtora não comunicou a Caixa que tinha vendido os partamentos, explica Maia. O caso se arrasta desde 1993, mas os moradores disseram que resolveram acionar a polícia agora porque cansaram de esperar por um acordo. Mais tarde, a idéia é entrar com uma ação contra a Caixa Econômica. Uma terceira moradora, Sibila Goetz, que trocou o terreno do residencial por um apartamento, também deverá apresentar queixa-crime. Os outros compradores já desistiram da escritura e foram embora, diz Maia.
Segundo os moradores, uma das intenções é fazer com que a Caixa Econômica embargue o aluguel que os sócios da construtora continuam recebendo dos outros 15 apartamentos que não foram vendidos e que esse dinheiro seja usado para abater a dívida da construtora com o banco financiador. Segundo Maia, a Décimo Solar deve hoje cerca de R$ 3 milhões à Caixa e o condomínio está hipotecado. Nós já pagamos a nossa parte.
O arquiteto Celso Tanaka disse ontem que lamenta que a situação tenha chegado a esse ponto. Reconheço que os moradores tiveram muita paciência, mas a liberação dos apartamentos não depende de mim e sim da Caixa Econômica, explicou. Tanaka afirmou que vendeu os nove apartamentos porque o financiamento cobriu apenas 60% dos custos da obra. O restante seria feito com recursos próprios. Devido à inflação da época, pagamos muito mais.
Tanaka disse que os problemas começaram com a troca de governo e a mudança de política da Caixa Econômica. Ficamos um ano sem receber o financiamento e a nossa empresa não aguentou e faliu, ressaltou. O arquiteto disse que, na época, só não paralisou as obras em respeito às nove pessoas que tinham comprado os apartamentos. Tanaka responde ação judicial impetrada pela Caixa por inadimplência, mas ele entrou com um embargo.
Ele disse que não lembra o valor atualizado da dívida, mas garantiu que é bem maior que o custo da obra, que hoje sairia por cerca de R$ 1,2 milhão. Ele ressaltou também que um acordo esteve perto de ser firmado em 1997 com a superintendência da Caixa, mas foi barrado pela direção do banco. Desde então, estamos esperando uma solução. O arquiteto afirmou ainda que usa o dinheiro do aluguel dos 15 apartamentos para pagar dívidas deixadas pela construtora.





