O diretor-comercial Rodrigo Tanus aponta contradições no laudo técnico que responsabilizou a Coteli na execução do projeto do Fórum da comarca de Curitiba. No termo de recebimento da obra, em 31 de outubro de 1989, a diretoria do extinto Departamento Estadual de Construção de Obras e Manutenção (DECOM), subordinado a Secretaria da Administração, confirma a aceitação definitiva da estrutura de concreto sem questionar a qualidade dos serviços feitos pela Coteli.
Dois anos depois, pelo menos dois dos quatro diretores do Decom que assinaram o termo de aceitação, ratificam em outro documento uma conclusão totalmente diferente. O laudo pericial de 16 de julho de 1991 aponta irregularidades em pilares, vigas, lajes e no concretamento. Outro laudo assinado pelo engenheiro Gerson Gasparin Barão, do departamento de engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), desmente as falhas.
Barão analisou os ‘‘diversos problemas construtivos’’ alegados pelo Decom e disse que eles são contestáveis. ‘‘Na realidade não existem problemas construtivos e sim imperfeições inerentes à execução de qualquer estrutura de concreto armado, apresentado em bruto, cujas correções são sanadas na sua fase de acabamento.’’ O documento que mais sustenta a versão dos donos da Coteli é o laudo de três engenheiros nominados pela Justiça para periciar se a construção é ou não segura.
Os peritos aplicaram cargas de pesos duas vezes maiores que a estabelecida no projeto original. Os testes comprovaram que não houve reação do concreto. ‘‘Nas provas de carga realizadas, a estrutura se comportou com boa performance até 500 quilos por metro quadrado e 700 quilos por metro quadrado, ou seja acima dos 300 quilogramas por metro quadrado que foi adotado para o dimensionamento da estrutura’’, revela o relatório, que ainda diz: ‘‘podemos afirmar que o projeto estrutural foi atendido na execução da obra’’. (D.V.)

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