Trabalhadores da construtora Cidadela, em Curitiba, discutiram ontem à noite em assembléia os atrasos dos pagamentos de salários por parte da empresa. Eles analisaram proposta de parcelamento dos vencimentos de fevereiro em quatro vezes e até o fechamento desta edição os trabalhadores não haviam chegado a uma decisão.
De acordo com o secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Curitiba e Região Metropolitana, Domingos Oliveira Davide, são aproximadamente 400 operários da Cidadela que estão com os salários atrasados há dois meses. A empresa diz que o contingente a ser pago é de 300 funcionários e a única pendência salarial é somente a de fevereiro. Davide menciona inclusive casos de trabalhadores que esperam receber os vencimentos de dezembro.
‘‘Cada vez que a gente conversa com os diretores da empresa, eles nos dizem que terão financiamentos do exterior, mas estas promessas já duram dois anos’’, observou o secretário de imprensa do sindicato. Diante das dificuldades financeiras que a empresa atravessa, Domingos de Oliveira Davide deseja que a Cidadela ‘‘não se transforme numa Encol’’.
O diretor da planejamento da Cidadela, Raul Pinheiro Machado, contestou as declarações do sindicato e disse que a empresa tem um atraso de salário de apenas 10 dias com seus trabalhadores. Machado mencionou que a Cidadela foi prejudicada pela crise econômica internacional ao deixar de fechar financiamentos com bancos estrangeiros.
Machado ressaltou ainda que a Cidadela está fazendo a sua parte, sem demitir qualquer trabalhador, e aposta num financiamento que será feito por bancos nacionais para apressar a entrega e finalizar as obras de 2.606 unidades nos estados do Paraná e Santa Catarina. O diretor da Cidadela rechaçou comparações com a Encol, dizendo que sua empresa tem uma tradição de 40 anos no mercado de construção civil.

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