Construtora ameaça parar obra do Hospital Regional
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quinta-feira, 12 de abril de 2001
Lucinéia Parra De Maringá 
O diretor da Orbis Construções e Empreendimentos, Erasmo José Germani, disse ontem que a obra da segunda etapa do Hospital Regional de Maringá pode parar se os recursos liberados pelo governo federal não forem repassados integralmente pelo município. A Orbis é a empresa líder do Consórcio Cidade Verde, responsável pela construção do Hospital Regional, cuja primera etapa foi entregue em abril do ano passado. A ameaça de paralisação foi feita porque a administração municipal depositou em juízo, na Justiça Federal, cerca de R$ 150 mil que correspondem a 24% do valor do recurso federal já liberado para a segunda etapa da obra.
O depósito em juízo, conforme o procurador jurídico de Maringá, Alaércio Cardoso, foi feito por causa do inquérito no Tribunal de Contas da União (TCU) que apura denúncia de superfaturamento. Uma auditoria do próprio TCU revela que o material utilizado na construção do hospital foi superfaturado em 24%. No total, a obra está orçada em R$ 20 milhões e só na primeira fase, que deverá abrigar a maternidade municipal, foram investidos R$ 6 milhões. O levantamento total das irregularidades ainda está sendo feito pelo TCU, mas há indícios de que o superfaturamento chegue a R$ 3,6 milhões.
Nós decidimos depositar em juízo porque se o laudo final do TCU confirmar a irregularidade, o município também poderá ser processado, já que em parceria com o governo federal, é responsável pelo repasse dos recursos, explica Cardoso. Além do TCU, as denúncias de irregularidades também estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal. Sabemos que o Ministério Público Federal já abriu inquérito civil público e constatou superfaturamento da obra, afirma Cardoso. Segundo ele, o município vai liberar os 76% restantes do recurso federal já liberado para a obra.
Germani criticou as denúncias de superfaturamento e disse que o alto custo da obra se deve às exigências do projeto. Não se pode comparar a construção de um hospital com a de outro imóvel. Os custos são mais elevados porque todo material utilizado atende às exigências técnicas do setor, disse o empresário.
Alexandre Populim, também diretor da Orbis, diz que não entende a denúncia de superfaturamento uma vez que o preço do metro quadrado construído ficou em R$ 997,00, ou seja, 11,3% menor do que o valor da tabela de custo de construção de estabelecimentos assistenciais de saúde divulgado pela Secretaria de Saúde.
O hospital está sendo construído em uma área de 49,3 mil metros quadrados. O projeto prevê uma área total construída de 16,6 mil metros quadrados. A futura maternidade municipal deve ocupar a primeira etapa da obra que tem 5,6 mil metros quadrados de área construída. Apesar de pronta, a maternidade não está funcionando por falta de equipamentos e funcionários.
Quando concluído, o hospital terá 161 leitos, sendo cinco para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quatro para UTI Pediátrica. O hospital também terá 12 salas de cirurgia. A expectativa da construtora é de que a segunda fase do hospital que está em andamento seja concluída até julho. Isso se os recursos continuarem sendo repassados, adverte Germani. Ontem, a obra recebeu a visita de vereadores, do secretário de Planejamento do município, Samir Jorge, e dos deputados federais Ricardo Barros (PPB) e José Borba (PMDB).


