Roberto Sas, proprietário da construtora Grande Piso Revestimentos Ltda, de Foz do Iguaçu, responsável pela construção das casas no Ilda Mandarino, afirmou ontem que a ocupação das casas foi planejada pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. Ele disse haver um funcionário da Cohab entre os invasores e que a ocupação seria uma forma de colocar um fim no projeto-piloto. ‘‘Uma vez invadidas as casas, a construtora, até pelos problemas que já teve, não tem mais o que fazer a não ser ir embora. Eles conseguiram ficar livre de vez do projeto’’, disse.
O construtor disse que o funcionário da Cohab que invadiu uma das casas atuava como fiscal da obra, e se chama Ari. A Folha apurou que a pessoa a quem o empresário se referia é Ari Ferreira. O filho dele, Ari Ferreira Neto, disse que seu pai é desempregado e esteve várias vezes na obra. ‘‘Ele veio aqui ver se já estavam prontas as casas para a gente entrar. Viemos para cá porque eram as únicas casas em construção’’, explicou.
Roberto Sas informou ontem que vai entrar com ação para a reintegração de posse dos imóveis. Ele disse que pretendia concluir as obras até sexta-feira. As casas, segundo ele, passariam por testes para demonstrar que a tecnologia empregada é viável. ‘‘O problema é que, pelas declarações do presidente da Cohab, aqui não se inova nada. Está proibida inovação na construção civil.’’.
O construtor entende que o projeto experimental, que reduz em 50% o custo da construção, e que seria uma alternativa para Londrina resolver o problema de moradia, ‘‘foi detonado por outros interesses’’.
O diretor-presidente da Cohab, Wilson Mandelli, considerou absurda a acusação feita por Roberto Sas. Ele observou que, apesar de ter declarado na data de sua posse que prefere o ‘‘feijão com arroz’’ (referindo-se à construção de casas em alvenaria), não é contrário a novas tecnologias. ‘‘Isso se ficar provado que é uma boa tecnologia, barata e que pode ser utilizada.’’
Segundo Mandelli, os 10 imóveis foram erguidos em terreno cedido pela Cohab e serão doadas à companhia pela construtora. Depois de terem toda documentação regularizada, passarão por avaliações de segurança e acompanhamento técnico para verificar a tecnologia empregada. As casas usam telhas de fibrocimento (Eternit) em lugar de tijolos, na fase de levantamento das paredes.
Mandelli afirmou ontem que as famílias não poderão ficar nas casas. ‘‘Vamos tomar as providências no sentido de desapropriar os imóves juridicamente.’’ A ação de reintegração de posse, segundo ele, seria impetrada ainda ontem. ‘‘Não podemos permitir que pessoas invadam casas ou terrenos públicos e permaneçam lá em detrimento de mais de 30 mil pessoas inscritas.’’
(Luka Morais)

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