Construtor nega ter assinado contrato
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 1997
Edmara Michetti 
O proprietário da empresa Grande Piso, Roberto Sass, não reconhece a assinatura em documento que garante custo zero para a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) das dez casas de fibrocimento construídas no conjunto Ilda Mandarino (zona norte). Nessa época (fevereiro) eu estava em Rondônia. Por certo essa assinatura não partiu de mim, justificou. Acompanhado de três advogados e um sócio, Sass esteve reunido ontem com o presidente da Cohab, Wilson Mandelli.
Sass garantiu que o departamento jurídico de sua empresa está analisando o documento e dará uma resposta sobre a assinatura na sexta-feira, quando deve voltar a se reunir com a diretoria da Cohab. O documento tem a assinatura do então presidente da Cohab, José Caetano Perri. Independente do documento, Sass deixou claro que as casas terão custo de R$ 120,00 o metro quadrado para a Cohab. Segundo ele, a construção das casas foi acertada apenas verbalmente entre o representante da Grande Piso, o então presidente da Cohab e seus diretores. Foi um contrato verbal, desde o aspecto técnico, afirma Sass. Estou conhecendo este documento agora.
A construção das casas faz parte de um projeto-piloto desenvolvido em conjunto com a Cohab, que cedeu o terreno, e a Grande Piso, que executou a obra. A fraude no documento contratual foi denunciada pelo representante jurídico da empresa em Londrina, Marco Antonio Campanelli, no dia 20 de maio, durante reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que questionava a qualidade das casas.
A CEI havia tentado, sem sucesso, contatar Roberto Sass. O endereço de Foz de Iguaçu, fornecido pela própria empresa, não foi encontrado. Sass alegou ontem que a empresa só existiu em Foz durante uma obra na cidade e depois voltou para Guarapuava. Ele afirmou ontem que a Grande Piso esteve no endereço fornecido à Câmara até outubro de 1996. No entanto, a CEI só foi formada no final de março. Ontem, Sass se comprometeu em fazer uma reunião com os integrantes da CEI na próxima semana, para esclarecimentos.
Para o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, o documento continua valendo. Só me pauto pelo que tenho na Cohab. Tenho documentos dizendo que o custo seria zero para a Cohab. Se me perguntarem da legalidade ou não, eu não sei. Mandelli afirmou ainda que Sass insiste no pagamento. Sass teria argumentado ainda que as casas tiveram um custo de R$ 85 mil para a Grande Piso.


