Construtor falta de novo e CEI acaba
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Arquivo FolhaJacy Aguiar: Perri é inocenteA Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de Vereadores encerrou ontem os trabalhos em torno da denúncia de irregularidades na construção das 10 casas de fibrocimento no conjunto Ilda Mandarino (zona norte). A decisão foi tomada depois que o proprietário da empresa Grande Piso, de Guarapuava, Roberto Sass, não compareceu para prestar depoimento pela segunda vez. A CEI não pode ficar à disposição dele. Como não temos poder de polícia nem de Justiça devemos encaminhar o caso para o Ministério Público, disse o presidente da comissão, Jaci Aguiar (PDT).
Sass deveria estar na Câmara de Vereadores no início da tarde de ontem. O aviso de que ele não viria chegou pouco depois do horário marcado para o depoimento. Um sócio do escritório de advocacia de Marco Antonio Campanelli, representante jurídico de Sass na Cidade, ligou à assessoria da CEI dizendo que o empresário não compareceria por estar em Brasília. Na semana passada, quando foi agendada pela primeira vez o depoimento de Sass na CEI, ele alegou problemas de saúde.
A construção das unidades é um projeto-piloto da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) com a Grande Piso. Com o depoimento de Sass, a CEI pretendia esclarecer de quem partiu a iniciativa de realizar o projeto-piloto e qual era o objetivo. A CEI também teve como objetivo apurar a validade de um documento que contém as assinaturas de Roberto Sass e do então presidente da Cohab, José Caetano Perri. O documento diz que a Companhia não teria custo na construção das casas. Recentemente, Sass afirmou que sua assinatura nesse termo de compromisso foi falsificada.
O empresário seria questionado, ainda, sobre o fato de que a Grande Piso não é registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e que, por isso, não tem atribuições legais para realizar obras no Estado. Esta informação consta do parecer técnico enviado à CEI pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon).
O relatório final ainda deve ser redigido para depois ser discutido pelo plenário da Câmara, que decidirá se deve ou não enviar denúncia ao Ministério Público. O relatório deve ser acompanhado do parecer da assessoria jurídica da Câmara sobre a denúncia e suspeita de falsificação no documento. Na opinião do relator da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), a simples suspeita merece apuração do Ministério Público. O fato de que ele não veio por duas vezes aumenta esta suspeita, diz Ribeiro.
A CEI destacou ontem a inocência de José Caetano Perri no processo. Para os integrantes da comissão, ele está isento de responsabilidades porque apenas recebeu o documento enquanto presidente da Cohab. Ele é uma vítima, ressaltou Jacy Aguiar. O advogado de Perri, Ronaldo Neves, afirmou que não está descartada a possibilidade de seu cliente entrar com uma ação indenizatória contra Sass por danos morais. O que será feito, segundo ele, ainda deve ser decidido com o cliente. Perri pediu demissão da presidência da Cohab logo que surgiram denúncias de irregularidades na construção das casas de fibrocimento.
Segunda-feira haverá a última sessão ordinária da Câmara antes do recesso, que vai de 1º a 31 de julho. Portanto, a decisão se o caso das casas de fibrocimento vai ou não para o Ministério Público só será tomada em agosto, mesmo que sejam pedidas sessões extraordinárias.


