Se quem decide construir a própria residência enfrenta dificuldades, os que optam por financiamentos para comprar imóveis prontos não ficam atrás. Segundo dados da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, só em Londrina são cerca de 500 associados revisando os contratos feitos com os agentes financeiros a maioria por problemas relacionados à falta de emprego ou perda do poder aquisitivo. ''Vivemos em um mundo de ilusões, porque o País não tem estrutura para financiamentos a longo prazo'', define o presidente da entidade, Marcos de Almeida.
Os problemas são derivados dos reajustes tanto das prestações como do saldo devedor. ''Nos contratos antigos, de antes de 1999, os reajustes do saldo devedor são maiores que os reajustes de salário. E há casos em que, por problemas técnicos, os bancos aplicam nas prestações reajustes maiores que aqueles dos salários. Já nos contratos novos, os dois reajustes são feitos pelos índices da poupança. Ou seja, é quase impossível, para quem depende de salário, pagar financiamentos'', diz Almeida.
Ele revela ainda que 32% dos mutuários do País são inadimplentes. ''Em Londrina, quando as pessoas procuram a Associação estão, em média, com oito prestações atrasadas.'' Almeida acha que a melhor opção ainda é construir aos poucos, se for preciso sem fazer dívidas. ''O problema é que falta estrutura nos bairros novos, como escolas e hospitais, e não há formas de incentivo para construções.'' (S. L.)

mockup