Construir com óleo de baleia
Como é do conhecimento dos arquitetos que trabalham com restauração de construções da época do Brasil Colônia, os portugueses usavam óleo de baleia, areia e conchas para dar ‘‘liga’’ a suas construções. As conchas fariam o papel do carbonato de cálcio misturado ao cimento das construções atuais. Exemplo do emprego dessa técnica de mistura antiga pode ser encontrado em dois locais da Ilha do Mel e na Serra do Mar.
O mais famoso exemplo da ilha é a atração turística vista e fotografada por milhares de pessoas todos os anos. A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, mandada erguer pelo rei de Portugal Dom José I, em 1767, em local estratégico na entrada da Baía de Paranaguá, para proteger a vila de ataques corsários. O forte foi concluído em 23 de abril de 1769. A argamassa desta única fortificação militar do século XVIII no Paraná é feita com saibro retirado do antigo Morro da Baleia, nos fundos do forte, óleo de baleia e restos de conchas.
Dois outros exemplos dessa técnica podem ser encontrados em ruínas das Encantadas e no Caminho do Itupava, aberto em meados do século 17, ao pé do Morro do Cadeado, na Serra do Mar. Nas Encantadas, um muro com cerca de um metro de altura e dez de extensão, com restos de conchas na argamassa, escapou da destruição provocada ao longo do tempo por curiosos e caçadores de tesouros.
Nas ruínas da Barreira do Itupava, um dos quatro antigos caminhos da Serra do Mar, um outro muro com cerca de um metro de altura e dois de extensão, também com restos de conchas na argamassa, teve a mesma sorte e pode agora ser preservado para as futuras gerações.

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