Construindo uma velhice saudável
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de julho de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Mudar conceitos e deixar de encarar a velhice só pelo aspecto das perdas, mas em como as limitações podem se transformar em ganhos este é o grande desafio para profissionais de educação física que trabalham com idosos, na opinião da professora e doutora em psicologia Silene Okuma. Considerada uma das maiores autoridades em atividade física para a terceira idade no País, ela participou em Londrina, neste fim de semana, de um curso para professores de educação física que atuam com a terceira idade.
O estereótipo ligado ao envelhecimento, aponta Silene, é muito negativo, já que vivemos em uma sociedade que só atribui valores aos jovens. Embora as pessoas achem ruim chegar à velhice, é um privilégio. Só quem vive a vida pode envelhecer, pondera.
Ela explica que o processo de envelhecimento traz sim transformações e perdas físicas, que podem inclusive afetar o emocional e o social. São aqueles idosos que perdem principalmente a mobilidade, e deixam de sair de casa, de ir à igreja, de visitar a família e fazer atividades de que gostam. Neste contexto, assumem o estereótipo de que o idoso é incapaz, passivo e que vive isolado.
Essas perdas, ressalta a professora, podem ser mais acentuadas se o corpo for inativo desde a juventude. O ideal é que as pessoas se eduquem para envelhecer, não só com cuidados com o corpo, mas mantendo as atividades e o convívio social. A construção de uma boa velhice vai se dando ao longo da vida, argumenta.
Segundo ela, é possível recuperar funções e oferecer recursos para os idosos lidarem melhor com estas perdas com atividade física, e com profissionais focados nessa transformação. Com atividade física, explica a especialista, o corpo pode voltar a ter músculos fortes, articulações flexíveis e condições cardiorrespiratórias.
A transformação do corpo, aponta Silene, vai se refletir na vida: O corpo é a dimensão concreta de nossa existência, e quando ele muda, muda também nossa dimensão interna, a maneira como nos relacionamos com o mundo. Por isso, quando o idoso percebe que não é incapaz, seus conceitos mudam, e ele pode passar a ter uma relação positiva com a velhice, de menos dependência dos outros.
Ministrado pelo Centro Regional de Esportes e Lazer da Paraná Esporte de Londrina, em parceria com a Universidade Norte do Paraná (Unopar), o curso foi criado depois de detectada a necessidade de qualificação de professores ligados a projetos municipais voltados para idosos. Vinte e cinco professores de 20 municípios do norte do Estado participaram do curso, que teve início em agosto do ano passado.
No fim de semana, o último módulo do curso trouxe palestras e oficinas de dança e socialização, ginástica rítmica adaptada à terceira idade, e de bem-estar do corpo, com a participação de professores e idosos. Nesta semana, outro grupo de professores inicia um novo curso de qualificação, desta vez em Guaratuba. A previsão é que participem representantes de todo o Estado.


