Se fosse possível dar uma volta panorâmica de helicóptero sobre a nossa vida na hora do desemprego ou de desencantamento com a profissão, quem sabe muita gente que anda por aí quebrando a cabeça e se roendo de estresse atrás de uma oportunidade profissional, conseguiria ter uma visão nova do mercado.
Esse é um vôo que se faz com os pés no chão e que o psicólogo clínico Júlio Cezar Camacho Arrebola ensina no livro ''Aprendendo a Soltar Pipa'', lançado no mês passado pela Editora Branco & Preto.
Da teoria à prática e depois de quatro anos desempregado, o ex-vendedor de peças para caminhões, Marco Antônio Silva, 44 anos, não leu o livro, mas resolveu dar uma virada na vida ao investir o tempo em um curso gratuito de eletricista, encontrando a saída para a recolocação no mercado.
Ele faz parte dos 240 profissionais formados pela Escola Profissionalizante Antonio Bordignon, que oferece cursos de eletricista, azulejista, assentador de porcelanato, pintor de obra e pintura decorativa.
''Ao idealizar os cursos, a Loja Bordignon tinha como foco atender os moradores do Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste), que fica próxima à nossa loja da Avenida Tiradentes. A intenção foi de retribuir a Londrina o que a cidade nos deu. Percebemos a necessidade de cursos de formação na área de construção civil e resolvemos criar a escola'', explica a coordenadora do projeto, Rita de Cássia Barbosa, acrescentando que o retorno social compensa o investimento, considerado alto, já que alguns alunos terminam o curso com emprego garantido.
Silva, a mulher e três filhos sobreviviam dos bicos que ele fazia como eletricista. Morador no Conjunto Cafezal 4 (Zona Sul), Silva avalia que os cursos profissionalizantes se transformaram na chance de uma recolocação mais rápida no mercado de trabalho, o que não acontece com os que optam por um diploma universitário.
''Quando a pessoa faz a opção por uma faculdade, até se formar vai levar quatro anos. Depois, para conseguir uma vaga será mais difícil. O curso profissionalizante não demora muito para terminar e a colocação também é mais rápida'', afirma Silva, um dos 22 alunos que concluiu o curso de eletricista, com duração de 100 horas/aula.
Outro que também vivia de bicos era Marco Antônio de Lacerda, 41 anos, morador na Vila Siam (Zona Leste). Pai de dois filhos menores, ele trocou a área de vendas pela profissão de eletricista, que considera mais rentável. ''Antes do curso, a gente sabia fazer o serviço, mas faltava conhecimento. Agora posso ler um diagrama e entender uma planta, o que facilita o trabalho'', comenta.
Lacerda espera aumentar a renda familiar. A formação ajudou a agilizar o trabalho e, consequentemente, sobra tempo para atender mais clientes. ''Quero fazer um curso de eletrificação industrial. Hoje, como eletricista auxiliar ganharia cerca de R$ 500,00 mensais. Acredito que posso ganhar mais com uma nova formação'', afirma.
A coordenadora do projeto, Rita de Cássia aposta na realização profissional dos alunos. ''A experiência está sendo fantástica. Vemos pessoas que perderam a vontade até de trabalhar. É gostoso ver os alunos depois da formação, com vontade de crescer na vida. A escola acaba sendo uma realizadora de sonhos'', conclui, apontando vôos mais altos na carreira de quem começou a dar os primeiros passos.

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