Rodrigo Nogueira Serpeloni também já acumula histórias emocionantes desde que começou a praticar a caridade. A jornada iniciou há quatro anos, quando a solidariedade se tornou ''parte de sua vida''. E, desde então, os sábados são reservados para isso. Participante de uma pastoral da Igreja Católica, Serpeloni viu a oportunidade de, literalmente, colocar a mão na massa pelos necessitados.
Sem saber nada sobre construção civil, em pouco tempo, descobriu em si uma vocação até então adormecida. No grupo que participa, existem vários integrantes das mais diversas profissões, que ajudam na construção de casas para pessoas carentes. ''Nos reunimos para construirmos ou reformarmos casas. Todo o material vem de doação. Ainda não sei muita coisa sobre construção, mas tudo o que faço é com dedicação'', diz. Ao longo desses anos, já são 18 casas feitas.
Depois que a caridade começou a fazer parte de sua rotina, o comerciante diz que sua visão em relação à vida mudou muito. ''Este trabalho me trouxe somente coisas boas. Sei que há famílias com muito menos e que são felizes. Dou muito mais valor às coisas que possuo. Poderia passar esse tempo com minha família, mas eles sabem que isso me completa. Quando não posso ir ajudar, fico com a minha cabeça lá''.
Sem esperar nada em troca, ele comenta que há situações em que as pessoas não reconhecem o trabalho. ''Mas eu faço tudo de coração, não fico esperando recompensa. Por outro lado, é muito gratificante receber o carinho de quem não tinha nada e, hoje, tem um teto para morar. Pelo tempo que passamos na construção, acabamos nos tornando amigos de muitas pessoas. Só isso já é muito importante.''
Mais que agradecimento, bom para ele é ver que a filha, que era recém-nascida quando começou no projeto, já sabe o que acontece. ''Quando ela vê algum mendigo na rua, me pergunta se não vou contruir uma casa para ele morar. Ao mesmo tempo que me parte o coração, tenho a certeza que estou passando um bom exemplo para ela'', diz. (M.T.)

mockup