Londrina - "Kokusai shokuminchi" ou "colônia internacional". Assim era conhecida Londrina pelos imigrantes japoneses no final dos anos 1930. Segundo informações do site do Museu Histórico de Londrina, esse povo foi uns dos primeiros compradores de lotes rurais do empreendimento da Companhia de Terras Norte do Paraná, que fundou o município. "Os imigrantes organizavam-se em colônias ou shokuminchi, visando a ajuda mútua, a educação dos filhos, a manutenção de estradas e a comemoração de datas festivas." Para manter a tradição do país de origem, as casas, igrejas, escolas e comércio construídos pelos carpinteiros orientais mantinham a estética japonesa. Algumas dessas edificações permanecem até hoje.
Um exemplo é a igreja budista Nambei Honganji, na Vila Brasil, região central, construída em 1954. Um dos carpinteiros da obra foi o Hakushi Nishiyama, filho de japoneses, que aprendeu o ofício com o pai. "Construímos aquele templo em sete pessoas. Demorou seis meses, porque o trabalho era todo manual, madeira encaixada. Foi feito todo de peroba rosa", ressalta ele. Na época, ele já tinha construído várias casas no estilo japonês em Uraí e Assaí (Região Metropolitana de Londrina).
Aos 83 anos, lembra que, apesar de não ter estudo, muitos arquitetos e engenheiros da época perguntavam se ele tinha formação na área. "Ninguém entendia como eu fazia os cálculos da madeira, como tudo dava tão certo. Mas eu aprendi com o meu pai, na prática mesmo. Só estudei até a terceira série", conta.
Para matar a saudade do ofício, ele sempre passa em frente ao templo budista. "Essa é minha única edificação aqui em Londrina, então eu passo para dar uma olhada. Fico admirado como ela está resistindo ao tempo, como as linhas estão retinhas. Tem casa construída em 80 ou 90 que já está toda empenada. As vezes eu penso, será que fui eu mesmo que ajudei a construir tudo isso?", brinca.
Recentemente, Nishiyama deixou suas ferramentas, legado do pai, construídas à mão, para a cidade. "Entreguei lá no Museu Histórico. Queria deixar uma lembrança daquela época, e honrar a memória do meu pai", finaliza. (P.B.O.)

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