Construção parou várias vezes
Iniciado em 1992, o complexo hidrelétrico Canoas enfrentou diversas manifestações e interrupções. Dede o projeto inicial, em 1988, houve revolta e desacordos sobre os alagamentos de terras. Em agosto daquele ano, o governo do Paraná quis travar uma guerra técnica e política para impedir a construção de nova hidrelétrica na bacia do Paranapanema. O governo argumentava que a CESP já havia alagado terras férteis demais no Paraná.
Já em 1989, foi a vez dos agricultores se manifestarem. Para eles, a terra não tinha preço e não se interessavam por negociações. Em janeiro de 1991, a população de Andirá se mobilizou contra a hidrelétrica. Os moradores reclamavam que centenas de propriedades rurais e oito cerâmicas ficariam inviabilizadas.
Em maio de 1991, um protesto denominado abraço ao Rio Paranapanema, contra o alagamento de 2 mil hectares de terra paranaenses, reuniu cerca de cinco mil pessoas. No mesmo mês, o Estado impôs a condição de que o governo paulista cumprisse os projetos já estabelecidos no Estado e reduzisse a área de alagamento para a liberação de Canoas.
Finalmente, em outubro de 1991, os alagamentos foram liberados em troco dos royalties que o Estado receberia. A CESP reduziu os 14 mil alqueires que seria alagados para 1.500. Também foram liberadas as indenizações para os as prefeituras que teriam terras submersas.
Os problemas então passaram a ser de ordem financeira. O primeiro protesto contra atraso de salários de funcionários foi em outubro de 1993. Cerca de 800 operários paralisaram a obra porque, segundo eles, a CR Almeida, empreiteira contratada para a construção civil, sempre atrasava os pagamentos.
A situação prosseguiu até novembro de 1994, quando os operários pararam definitivamente devido ao atraso de dois meses dos salários. Na época, a dívida da empresa com salários girava em torno de R$ 1 milhão e mais de 400 operários foram demitidos. Hoje, a empreiteira Andrade Gutierrez reassumiu a construção civil e é responsável por 750 empregos.





