Os proprietários da chácara localizada na Rua Bento Munhoz da Rocha No 1205, às margens do lago Igapó 2 (Centro), serão notificados pela Prefeitura de Londrina a retirar um poço de captação de água instalado na pista de caminhada de pedestres. A construção particular afeta a legislação ambiental, já que se situa em Área de Preservação Permanente (APP), e se encontra em espaço público.
O poço de captação é revestido por uma cobertura de concreto a menos de 10 metros do lago. A tubulação que conduz a água até o terreno passa por baixo da Munhoz da Rocha - próximo ao cruzamento com a Avenida Maringá. O bombeamento é acionado na própria chácara por meio de um cabo de força que se estende até o ponto de captação.
A denúncia ambiental foi levada à Folha pelo aposentado Everaldo Garcia da Silva, morador da região. ''Mais grave que o bunker em via pública é o fato da água ser usada para irrigar a plantação de hortaliças que eles mantém ali. Todos sabem que a água do lago é altamente poluída e portanto o consumo destas hortaliças pode gerar uma série de doenças para o ser humano'', afirmou.
Com base nas informações do aposentado, a Folha convidou representantes do Ministério Público (MP), secretarias municipais de Obras e de Meio Ambiente (Sema) e Sanepar, para um visita no local, na sexta-feira à tarde. Apenas os representantes da Obras não compareceram.
O assessor de recursos hídricos da Sema, João Batista, mostrou-se preocupado com a ''situação atípica'' que, segundo ele, ''se consolidou ao longo de muitos anos''. ''Antigamente, isso era normal, todas as chácaras aqui captavam água com poços caipiras, menos profundos que os artesianos. Acontece que o tempo passou e hoje a situação é extremamente irregular'', declarou. ''Com certeza os proprietários vão ser notificados a regularizar a situação. Eles terão que retirar a estrutura daqui'', afirmou.
De acordo com João Batista, ainda que a água do poço não seja a mesma do lago, provavelmente há mistura em razão da proximidade entre os dois pontos. ''A água do poço deve ser mais limpa porque é ligada direto ao lençol freático. Mas com certeza deve haver alguma contaminação pela água do lago.'' Ele informou ainda que a Vigilância Sanitária vai coletar amostras no local na segunda-feira para verificar a qualidade da água.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Novaes Vicentin, minimizou a situação específica e preferiu tratar do Ribeirão Cambé (que dá origem ao lago) em toda a sua extensão. ''Na verdade, precisamos de um levantamento global porque tem muito mais gente que faz isso, inclusive o poder público. Não podemos mexer só com uma pessoa'', disse. Sobre o poço de captação em área pública e de APP, ela afirmou que vai oficiar a prefeitura para obter mais informações. ''Pode ser que tenham que mudar a cobertura (do poço) ou terão um prazo para trocar de local.''
O secretário de Obras, Aloísio Crescentini de Freitas, não foi localizado na sexta-feira para falar sobre o assunto.

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