O projeto que pretende construir mais um shopping popular no centro de Londrina causa polêmica entre empreendedores, atuais inquilinos do imóvel, e diretoria de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura. Localizado na esquina das ruas Benjamin Constant e São Paulo, no Centro, o prédio - de 60 anos - está na área envoltória de um bem tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, a Praça Rocha Pombo. Por essa condição, qualquer obra em sua estrutura ou fachada deve ser aprovada pelo órgão antes de começar a ser posto em prática.
Os proprietários do imóvel, segundo vizinhos, iniciaram o processo de demolição na semana passada. ''Solicitamos que o trabalho fosse interrompido e requisitamos à secretaria de Obras que encaminhasse o pedido de demolição e o projeto do novo prédio para receber nosso parecer'', informou a diretora municipal de Patrimônio Histórico-Cultural, Vanda de Moraes.
Após a análise do projeto, ela vai enviá-lo para aprovação do Patrimônio Histórico Estadual. O Hotel Aliança, que funciona no local, e a parte do prédio que abriga uma loja na esquina das duas ruas são as edificações que mais preocupam a diretora. ''Esse hotel (Aliança) é um dos únicos remanescentes da época em que as duas estações (ferroviária e rodoviária) funcionavam na região'', disse ela, que defende a preservação do prédio e também da atividade hoteleira no local.
O novo projeto não poderá interferir na Pracha Rocha Pombo. ''Não deve ser muito alto ou ter elementos publicitários exagerados'', exemplificou. Vanda ressaltou que a exigência visa permitir que as edificações sejam contempladas em sua forma original. ''O objetivo é que as pessoas possam reconhecer a história da arquitetura da cidade''.
Enquanto o impasse não se resolve, comerciantes da região - que preferiram não se identificar - reclamam que a demolição parcial do prédio causa transtornos. Como as portas foram retiradas e o imóvel ficou aberto, muitos andarilhos estão utilizando o local para dormir. ''A gente tem medo que aquilo vire um mocó'', disse um dos lojistas.
Outro comerciante ressaltou que os mendigos urinam no prédio, o que causa mau cheiro. Hóspedes do hotel reclamam que o barulho dos ''moradores'' vizinhos, durante a noite, atrapalha o sono. O início de demolição também causou prejuízos a lojistas, que teriam até segunda-feira para desocupar o imóvel. ''Como a parte de cima está sem telhas, a água da chuva entrou na minha loja. Eles (os proprietários) estão fazendo isso para forçar a desocupação'', denunciou.
A reportagem da Folha procurou os proprietários do imóvel por telefone, mas eles não retornaram as ligações.

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