Construção de presídio está sem previsão
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quinta-feira, 22 de abril de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A demora do governo do Estado em abrir a licitação para a construção do Centro de Detenção Provisória de Londrina está acabando com a paciência das autoridades municipais envolvidas na questão. Depois da ''novela'' sobre a doação do terreno que consumiu meio ano até ser decidido, ao lado da Casa de Custódia de Londrina (Zona Sul) , agora começam os capítulos da obra propriamente dita. O Departamento Penitenciário (Depen) do Estado não tem sequer uma previsão para o início das construções.
O anúncio de que Londrina receberia um Centro de Detenção foi feito em 14 de agosto de 2003 pelo secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, que conseguiu do poder público municipal a doação de um terreno de R$ 99 mil. A doação definitiva da área aconteceu no fim do mês passado, com a lei 9405/2004.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, disse ontem que, a despeito do atraso, a obra tem ''caráter urgente'' ante a necessidade de desafogamento no sistema carcerário da cidade. De acordo com ele, pelo menos metade das 600 vagas do prédio prometidas pelo secretário de Justiça atenderiam somente o déficit existente hoje, de 309.
O juiz afirmou ter conversado na última segunda-feira com Parzianello, que teria lhe informado que a licitação para a obra ainda não fora aberta devido à falta da escritura do terreno. Segundo Valle, o detalhe está sendo superestimado pelo governo. ''Estão demorando demais, nos enrolando ou simplesmente querendo ganhar tempo; só não sei para quê'', criticou.
Irritado com a suposta desculpa do Estado, o secretário de Governo da Prefeitura, Adalberto Pereira da Silva, comentou que não entende a demora, se o ofício com a cópia da lei já foi encaminhado à secretaria logo após a sanção do prefeito Nedson Micheleti (PT). ''Na minha opinião, isso é falta de vontade de resolver a questão. Por que não vieram aqui para tomar posse do terreno? Não era só o que estava faltando? Estão brincando com Londrina'', disparou.
A atitude do Estado despertou também a antipatia do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, e do coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Gelson Gil. ''Vemos esse processo com preocupação, pois a situação nos DPs é caótica'', ressaltou Alvino Filho. ''Quanto mais demorar, mais caro o orçamento e mais presos se acumularão'', argumentou Gil.
A verba para a obra, de R$ 2,5 milhões, está liberada desde setembro. Porém, conforme o engenheiro do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), José Carlos Scheffer, o orçamento ainda nem foi repassado ao governador Roberto Requião (PMDB). ''Dessa fase até a de implantação, é um processo rápido'', assegurou. Procurado pela reportagem, Parzianello disse, por meio de sua assessoria, que não se pronunciaria sobre o assunto.


