O Canal da Barragem não é a única obra do governo estadual que, até esta semana, estava parada em Foz do Iguaçu. Mesmo sem ter sido completamente abandonada, a construção do Portal Paisagístico e Turístico da cidade está sendo executada a um ritmo extremamente lento e, no momento, emprega apenas 11 funcionários.
Iniciado em 1996, o portal está sendo erguido em uma área de aproximadamente 300 mil metros quadrados, em uma das margens da BR-277, na entrada da cidade. A função do prédio, que terá 2,6 mil metros quadrados, será centralizar a fiscalização dos ônibus de sacoleiros que deixam Foz do Iguaçu com mercadorias compradas no Paraguai. A previsão inicial era de que ele foi entregue no final do ano passado.
De acordo com o diretor de Obras da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Quizada, o atraso se deve a diversas modificações que o projeto sofreu desde o seu início. Primeiro, houve necessidade de adaptações para que a Receita Federal possa transferir para o local a aduana que hoje funciona na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este (Paraguai).
Depois, foi abandonada a idéia de reter no portal todos os ônibus de sacoleiros que chegam à cidade. Pelo projeto original, os viajantes seriam levados até Ciudad del Este em ônibus urbanos do tipo ‘‘ligeirinho’’, evitando congestionamentos na Ponte da Amizade. Os custos da implantação do sistema provocaram o arquivamento dessa idéia.
Agora, houve necessidade de modificações na construção dos acessos ao portal, já que a duplicação da BR-277 -que teve um trecho de 22 quilômetros já entregue - não estava prevista no projeto original. Álvaro Neumann, engenheiro da Vermelho Construtora, empreiteira que assumiu a obra no final de fevereiro, disse à Folha que deverá receber na próxima semana os projetos aprovados pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e acelerar imediatamete o ritmo da construção.
Segundo o diretor de Obras da Sema, a previsão do governo é concluir o portal até o final do ano. Ele disse que a obra deverá custar cerca de R$ 3 milhões. Dividido em cinco pisos, o prédio terá estacionamento para 300 ônibus, banheiros com chuveiro, depósito para a Receita Federal, salas, banco, lanchonete e restaurante.
A Folha apurou que a conclusão do Portal de Foz pode enfrentar outro obstáculo. O antigo dono da área ainda não recebeu a indenização, avaliada atualmente em R$ 600 mil. Em 96, o então prefeito, Dobrandino da Silva (PMDB), desapropriou a área, doou-a ao Estado, mas não pagou a indenização. Segundo o procurador-geral do Município, Ataliba Aguirra Filho, até o final deste mês a indenização será paga. Ele afirmou que a dívida será dividida entre a prefeitura e o Estado. (Valmir Denardin)

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